Médicos alertas, pacientes felizes

Um novo estudo mostra que médicos com prática de mindfulness (atenção plena) se comunicam melhor com os pacientes e prestam cuidados de melhor qualidade. 

Um volume significativo de pesquisas aponta para os benefícios da prática de mindfulness para profissionais de medicina. Praticar mindfulness pode reduzir o esgotamento e melhorar o bem estar de médicos.

Uma nova pesquisa mostra que a prática de atenção plena da parte do médico é uma boa notícia também para os pacientes: o estudo, publicado no Annals of Family Medicine (Anais de Medicina da Família), mostra que médicos com prática de atenção plena se comunicam melhor com os pacientes e prestam cuidados de melhor qualidade.

No estudo da universidade de John Hopkins, Mary Catherine Beach e alguns colegas administraram questionários para medir a habilidade de atenção plena de 45 médicos que cuidavam de pacientes com HIV nos Estados Unidos. Em seguida, os pesquisadores gravaram a interação destes médicos com seus pacientes. Eles também entrevistaram os pacientes para ouvir a perspectiva deles quanto a qualidade dos cuidados médicos.

Quando os pesquisadores analisaram as gravações de áudio das interações entre médicos e pacientes, descobriram que os médicos com mais prática de mindfulness demonstraram comunicação mais centrada nos pacientes – ou seja, passaram mais tempo estabelecendo uma relação com os pacientes e falaram mais sobre a experiência deles, em vez de apenas focalizar no aspecto biomédico da doença. Eles também apresentaram um tom emocional mais positivo, passaram mais tempo visitando os pacientes e tiveram melhor avaliação da qualidade da comunicação e cuidado da parte dos pacientes.

Por que será que a atenção plena apresenta este efeito? Os pesquisadores acreditam que por mindfulness envolver atenção, curiosidade e presença, a prática promove uma consciência maior de si mesmo e dos outros. Esta consciência pode vir a ajudar os médicos a melhor prestar atenção à experiência da outra pessoa, permitindo responder aos pacientes com mais compreensão, empatia e compaixão.

Entretanto, enquanto este estudo demonstra que mindfulness e cuidados de mais de alta qualidade estão correlacionados, a pesquisa não prova que a atenção plena cause um cuidado de maior qualidade; uma pesquisa futura deve investigar se uma intervenção de mindfulness melhoraria diretamente a qualidade dos cuidados do médico, a fim de excluir outros fatores que podem vir a esclarecer a correlação.

Os pesquisadores também acham que a pesquisa deveria investigar se a percepção de melhor qualidade do cuidado e comunicação conduz os pacientes a melhores resultados na saúde. Segundo eles, “em uma era em que muitos médicos sofrem com esgotamento profissional, a atenção plena na prática pode ser a maneira de médicos não apenas cuidarem de si próprios, mas também curar seus pacientes”.

Fonte: Greater Good, tradução minha.

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Bastam 10 minutos de atenção plena

Quando foi a última vez que você ficou sem fazer nada por 10 minutos? Sem enviar mensagens de texto, conversar or mesmo pensar? Andy Puddicombe (do Headspace), especialista em meditação, descreve o poder transformador de fazer apenas isso: revigorar a mente com 10 minutos por dia, simplesmente estando consciente e experienciando o momento presente (sem precisar de incenso ou sentar em posições estranhas).

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Estudo sugere que meditar meia hora por dia alivia ansiedade, depressão e dor

Uma análise de 47 testes clínicos com um total de 3.515 participantes que praticavam diferentes técnicas de meditação e sofriam de diversos problemas mentais e físicos – entre eles depressão, ansiedade, estresse, insônia, diabetes ou câncer – mostrou que o alívio de sintomas seria semelhante ao efeito de antidepressivos. O estudo foi publicado na edição on-line do Journal of the American Medical Association. Segundo Madhav Goyal, professor adjunto de medicina interna na universidade Johns Hopkins e principal autor do estudo:

Um grande número de pessoas recorre à meditação mas este exercício não é considerado parte de alguma terapia médica. Mas na nossa pesquisa, a meditação parece aliviar os sintomas da ansiedade e de depressão, tanto quanto os antidepressivos em outros estudos

Constatando que a meditação conhecida como mindfulness (em português atenção plena ou plena consciência) mostrou-se particularmente promissora na redução da ansiedade, depressão e dor, o pesquisador explicou o que foi considerado meditação para o estudo:

Muitas pessoas acham que a meditação significa apenas sentado em silêncio sem fazer nada. Isso não é verdade. É uma formação ativa da mente para aumentar a conscientização, e diferentes programas de meditação abordam isso de maneiras diferentes.

A equipe de pesquisadores constatou entre 5 e 10 por cento de melhoria nos sintomas de ansiedade entre as pessoas que participaram da meditação mindfulness, em comparação com aqueles que fizeram uma outra atividade. Houve também uma melhoria de 10 a 20 por cento nos sintomas de depressão entre aqueles que praticavam mindfulness, em comparação com o outro grupo.

O estudo conclui que a classe médica precisa estar melhor informada sobre os possíveis benefícios da meditação:

Médicos devem estar preparados para falar com pacientes sobre o papel que um programa de meditação pode ter no tratamento de estresse psicológico. Modelos de estudo mais rigorosos são necessários para determinar os efeitos de programas de meditação na melhoria de dimensões positivas de saúde mental e do comportamento relacionado ao estresse

Fontes:
Press-release original do Journal of the American Medical Association (JAMA)
Notícia da France Presse publicada na coluna bem-estar de Globo.com em 07/01/2014
Artigo da Reuters: Meditation may help with anxiety, depression and pain