Citação

A meditação vem quando você está feliz

Por que na cabeça de todo mundo surge essa idéia de que a meditação traz felicidade? De fato, sempre que eles encontram uma pessoa feliz, eles encontram uma mente meditativa, essas duas coisas estão associadas. Sempre que eles encontram uma bela atmosfera meditativa circundando um homem, eles sempre descobrem que ele estava tremendamente feliz; vibrante com a alegria, radiante. Essas coisas se tornaram associadas. E eles pensam que a felicidade vem quando você está meditativo. E é exatamente o oposto: a meditação é que vem quando você está feliz.
Mas ser feliz é difícil e aprender a meditar é fácil. Ser feliz significa uma drástica mudança em sua maneira de viver, uma mudança abrupta, porque não há nenhum tempo a perder. Uma mudança súbita, um repentino estrondo de trovão (a sudden clash of thunder), uma descontinuidade.

Isso é o que eu entendo por sânias: uma descontinuidade com o passado. Um repentino estrondo de trovão, e você morre para o velho e então, revigorado, você recomeça do bê-a-bá. Você nasce de novo. Você começa de novo a sua vida, como você começaria se os padrões não tivessem sido impostos a você pelos seus pais, pela sociedade, pelo Estado; como se ninguém tivesse desviado você. Mas você foi desviado.

Você tem que deixar de lado todos os padrões que foram impostos a você, e você tem que encontrar a sua própria chama interior.

~ Osho, em A Sudden Clash of Thunder (Tradução: Sw. Bodhi Champak). Fonte.

Dia 12: Seres sentimentais

Peço desculpas pela demora na tradução do boletim de hoje da campanha 100 Dias de Amor-Bondade, da Wildmind. A seguir:

Por muito tempo, quando estava crescendo, eu parecia estar completamente inconsciente de duas coisas. Primeiramente, que outros seres têm sentimentos. E segundo, que os sentimentos dos outros são tão importantes para eles quanto os meus o são para mim.

Pode parecer tão óbvio que você se pergunta como foi possível negligenciar estes pontos, ou até como podem ser tema de uma revelação. Mas, ao que parece, todos nós temos problemas em reconhecer estes fatos simples. Nenhum de nós gosta de se sentir machucado, entretanto frequentemente fazemos coisas que ferem os sentimentos das pessoas, seja por meio de nossas expressões faciais, nossas palavras ou gestos.

Se a gente conseguisse manter em vista que os outros querem ser felizes e não querem sofrer, a maioria de nós comportar-se-ia completamente diferentemente. Quando a gente valoriza e honra os sentimentos dos outros tanto quanto os nossos, ferir outra pessoa é ferir a nós mesmos.

Há um outro aspecto importante nisso tudo, que é o fato de que também temos que cuidar de nossos próprios sentimentos. Se você foi criado em um ambiente emocionalmente hostil – talvez com muito criticismo ou sarcasmo – pode ser que tenha se acostumado a se sentir machucado e infeliz, ao ponto de ter esquecido de que há uma alternativa. Você se acostumou tanto a descontar a sua própria dor que você nem pensa em levar em consideração os sentimentos de outras pessoas. Pode ser que seja necessário trabalhar para reconhecer os seus próprios sentimentos e aprender novamente que você prefere a felicidade em vez da infelicidade, antes que você possa desenvolver empatia para com os outros.

Eu sugiro, porém, que você tenha em mente este pensamento no seu cotidiano. Quando estiver conversando com uma pessoa, ou se estiver pensando em alguém enquanto dirige, ou anda, ou faz compras, lembre-se: trata-se de um ser sentimental. Os sentimentos dele são tão importantes para ele quanto os meus são para mim. Quer ser feliz e não quer sofrer.

Experimente e veja como o seu comportamento muda, e como muda a maneira como você se sente.

Com metta (bondade),

Bodhipaksa

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amigos de verdade

Dia 10: Amor e bondade naturais

Chegamos ao décido dia da campanha 100 Dias de Amor-Bondade, da Wildmind – o que quer dizer já andamos 10% do caminho (embora a aspiração maior é prática permanente e natural desse amor incondicional por nós mesmos e pelos outros!). Veja aqui a tradução da newsletter de hoje:

As pessoas geralmente acham que praticar amor-bondade é algo difícil. Gostaria de salientar a naturalidade da metta, e como ela surge sem esforço a partir de certas reflexões. Não quero dizer que é fácil viver “mettamente” o tempo todo. Mas amor-bondade não é algo pelo qual temos que lutar.

Para começar com o cultivo de amor-bondade por um amigo, vamos observar que o amigo é alguém por quem já a gente tem metta. Uma das palavras em pali para amigo é “mitta” – podemos notar a semelhança óbvia entre as palavras metta e mitta. Um amigo é alguém cujo bem-estar importa para nós. Quando nossos amigos estão infelizes, ficamos incomodados; quando eles estão felizes, ficamos contentes.

Metta tem essa mesma simplicidade. É fácil perder de vista o fato de que metta é algo que já temos, mesmo que, muitas vezes, tenhamos perdido a conexão com ela na correria de nossas vidas. Mas nós já a temos, e precisamos primeiro nos reconectar com ela, para em seguida fortalecê-la por meio de nossa atenção.

Logo no início destes 100 dias, escrevi sobre algumas reflexões básicas para nos ajudar a nos reconectar com o nosso amor e bondade inerentes. Experimente estas dicas novamente como um exercício:

  • Você quer, em geral, ser feliz. Você não quer, em geral, sofrer. Permita que esta verdade penetre em sua mente e a deixe ressoar.
  • A felicidade é, muitas vezes, muito mais difícil de encontrar do que você imaginava que seria, e o sofrimento é algo que você experimenta com mais frequência do que gostaria. Permita que estas palavras também ressoem em sua mente. Tudo bem se for um pouco desconfortável: basta aceitar o desconforto.
  • Agora, após permitir que estes pensamentos penetrassem em sua mente e tendo percebido a veracidade deles em sua experiência, pergunte-se se há alguma parte de você que consiga reagir com apoio e simpatia consigo ao lidar com essa coisa difícil que é ser humano – ao cumprir esta tarefa que é viver, buscando a felicidade com esperança e sabendo que ela é elusiva, esperando e tentando evitar o sofrimento e descobrindo que ele surge com muita frequência.

Agora, aplique estas mesmas reflexões ao seu amigo:

  • Seu amigo quer ser feliz. Seu amigo não quer sofrer.
  • Para seu amigo, a felicidade é muitas vezes algo difícil de se encontrar, e o sofrimento é algo que ele experimenta com mais frequência do que gostaria. Permita tempo, mais uma vez, para que a veracidade destas reflexões penetrem, pois elas são verdadeiras para todos. Eu não acredito que haja alguém que olhe para a vida e diga: “sabe, está ótimo assim, mas prefiro ser um pouco menos feliz”.
  • E com a veracidade destas reflexões em mente, veja se há alguma parte de você preparada para torcer pelo seu amigo, desejando-lhe bem enquanto ele cumpre essa difícil tarefa de viver uma vida humana.

Não é complicado. Mas se o fizermos no início do segundo estágio da metta bhavana, a nossa prática de amor-bondade pode ser aplicada à vida, sem muito esforço. Metta – uma bondade básica que valoriza a felicidade dos outros – surge naturalmente a partir das reflexões acima. Metta está sempre ao alcance de uma reflexão.

Com metta (bondade),
Bodhipaksa

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Foto do destaque por obbino, intitulada “Eu e meus amigos” (CC BY-NC 2.0)
Jota de Copas

Dia 9: O que significa desejar que alguém seja feliz?

Bom fim de semana para todos! Eis a newsletter deste sábado, nono dia da campanha 100 Dias de Amor-Bondade, da Wildmind:

Ontem, discuti o que significa dizer “Que você esteja bem”, e como não se trata de simplesmente desejar saúde física. Hoje, gostaria de falar sobre o que significa dizer “Que você seja feliz” e, novamente, não é algo tão simples quanto parece.

Uma pergunta comum é por que devemos cultivar metta por pessoas que causam problemas para aqueles ao nosso redor, ou infligem dor aos outros. Naturalmente, não queremos que elas continuem espalhando destruição, mas queremos ser felizes mesmo quando elas o fizerem.

De um ponto de vista budista, a verdadeira felicidade não é algo que se pode colar em uma existência vivida de forma profundamente inabilidosa. A verdadeira felicidade é, na verdade, resultado de uma vida vivida com habilidade, e sendo assim, ao desejar que uma pessoa difícil seja feliz, estamos desejando que ela seja uma pessoa consciente e que crie felicidade. A psicologia ocidental diz a mesma coisa. Psicólogos descobriram que dentre as características de pessoas felizes estão andar rodeadas de amigos e parentes, não tentar se comparar aos vizinhos, perdoar facilmente, mostrar gratidão em abundância e ter generosidade para com os outros.

É provável que seu chefe – ​​materialista, obcecado por status e mal-humorado – não tenha muitos destes traços de caráter. Agora, é possível também que alguém tenha todas as qualidades hábeis mencionadas acima, e muitas outras, e ainda assim faça coisas que prejudiquem os outros. Algumas pessoas que normalmente são boas têm falhas profundas. Mas estas falhas são inevitavelmente uma fonte de conflito interno e sofrimento para elas, por isso, ao desejar que sejam felizes, desejamos que elas estejam livres das falhas que causam sofrimento a elas (e a outros).

Quando desejamos felicidade a alguém, estamos desejando que a pessoa se torne um ser humano empático, eticamente responsável e consciente. E, na verdade, isso é uma coisa difícil de se desejar a qualquer um. Quando deixamos de agir de forma inabilidosa e nos tornamos mais conscientes e amorosos, começamos a olhar para as nossas vidas e temos que aceitar a responsabilidade pelo mal que fizemos, ou que estamos fazendo. E isso é uma coisa muito dolorosa de se fazer. Lembro-me das palavras de Rilke: “Pois nela não há lugar / Que não te mire: precisas mudar de vida”. O auto-conhecimento torna-se o ponto a partir do qual somos vistos, e quando nos tornamos conscientes de nossas falhas, uma certa quantidade de tensão se desenvolve, até que, em algum momento, somos confrontados com a escolha entre continuar sofrendo com tal tensão ou mudar as nossas vidas – às vezes dolorosamente.

Muitos de nós passamos por isso quando começar a praticar meditação e budismo. É como se a vida de repente se tornasse mais complexa. Em vez de nosso problema ser o fato de termos um chefe detestável, agora é o fato de que (1) nosso chefe se comporta de uma maneira que não gostamos, e (2) precisamos gerenciar nossas próprias reações de forma ética. Em vez de um problema, agora temos dois!

Não estou sugerindo que a gente deseje dor a ninguém. Estou apenas lembrando que desejar a verdadeira felicidade a alguém não é esperar de que a pessoa ganhe um passe livre que lhe absolva do mal que causou. É desejar que a pessoa seja vista por sua própria consciência, e que faça o trabalho duro que esta “visão” exige.

Com metta (bondade),
Bodhipaksa

[Nota da tradução: o poema O torso arcaico de Apolo de Rainer Maria Rilke mencionado neste boletim foi traduzido em português por Paulo Quintela.]

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Citação

A meditação é uma função do estar feliz

“A meditação é necessária somente porque você não escolheu ser feliz. Se você tivesse escolhido ser feliz, não haveria nenhuma necessidade de meditação. A meditação é medicinal: se você está doente, então o medicamento é necessário. Os Budas não precisam de meditação. Uma vez que você começou a escolher a felicidade, uma vez que você decidiu que você tem que ser feliz, então nenhuma meditação é necessária. A meditação começará a acontecer naturalmente, por ela mesma.

A meditação é uma função do estar feliz. A meditação segue o homem feliz como uma sombra: em qualquer lugar que ele for, qualquer coisa que ele estiver fazendo, ele estará meditativo. Ele estará intensamente centrado. […]

A meditação ocorre naturalmente a uma pessoa feliz. A meditação ocorre naturalmente a uma pessoa alegre. A meditação é muito simples para uma pessoa que pode celebrar, que pode curtir a vida. Mas você tem tentado isso de uma outra maneira, e assim não é possível.”

~ Osho, em A Sudden Clash of Thunder (Tradução: Sw. Bodhi Champak). Fonte.

Dia 2: O que é amor-bondade (lovingkindness)?

Tradução da newsletter do segundo dia da campanha 100 Dias de Amor-Bondade:

Amor-bondade (metta) é tão-somente o desejo que temos que todos os seres, incluindo nós mesmos, sejam felizes. É algo muito simples, natural e inato. Podemos pensar nisso só como “bondade”, que acho que é, na verdade, uma das melhores palavras para traduzir o termo metta. É fácil lembrar de momentos em que fomos bondosos, como nos sentimos quando somos bondosos e como é ver a bondade de outras pessoas em ação. A “bondade” é uma qualidade que podemos abordar experimentadamente.

Metta bhavana, ou meditação de amor-bondade, é uma prática através da qual entramos em contato e fortalecemos a nossa bondade inata.

Quero salientar novamente que a bondade – metta – é natural e intrínseca. Você já a tem  e não é necessário criá-la. Não é algo místico ou sobrenatural, ou algo que você não tenha experimentado antes. Mas ela pode ser reforçada.

Para ter uma noção da naturalidade e simplicidade desta qualidade de bondade, considere as seguintes reflexões:

  • Você quer, de modo geral, ser feliz. Você não quer, de modo geral, sofrer (isto é verdade para você?).
  • A felicidade é, muitas vezes, muito mais difícil de se encontrar do que você acha que seria, e o sofrimento é algo que você experimenta com mais frequência do que você gostaria (também é verdade para você?)
  • Faça uma pausa por um momento e confira a veracidade dessas declarações em seu coração.

Agora, tendo deixado esses pensamentos circular em sua mente, e tendo percebido a veracidade deles em sua experiência (e tudo bem se for uma verdade incômoda), pergunte-se se há alguma parte de você que pode reagir com apoio e simpatia ao lidar com essa coisa difícil que é ser humano. Porque ser humano é uma coisa difícil, seguir esta tarefa de viver, buscar a felicidade e saber que ela é elusiva, tentar evitar o sofrimento e descobrir que ele surge com muita frequência. Quando você considera a vida a partir desta perspectiva, sente um pouco mais de simpatia por si mesmo do que o habitual?

Agora, considere que essas reflexões são verdadeiras para as outras pessoas também. Todos os seres, goste você deles ou não, conheça-os ou não, estão na mesma situação que você. Pause, relaxe e veja se há alguma parte de você que pode apoiar e valorizar as aspirações dos outros seres à medida que eles lutam para encontrar a felicidade e escapar do sofrimento, ao também lidar com essa coisa difícil que é ser humano.

É portanto uma coisa muito natural, embora possa ir extremamente contra alguns dos nossos condicionamentos (“quer dizer que eu tenho permissão para gostar de mim?”).

As frases que eu incentivo você a circular na mente como uma forma de cultivar uma atitude mais gentil consigo mesmo têm a intenção de tocar em nosso desejo natural de ser feliz:

  • Que eu esteja bem
  • Que eu seja feliz
  • Que eu me sinta à vontade

Temos um guia bastante extenso sobre a prática de amor-bondade no site do Wildmind, e você pode começar com o cultivo da bondade para consigo mesmo aqui. Ou, se  preferir, pode ir direto a esta rápida meditação guiada, que introduz a prática de “auto-metta”. Foi gravada há muito tempo, em equipamento muito ruim, mas se conseguir ignorar essas deficiências, espero que tire proveito. [nota da tradução: substitui os links originais por links para as páginas ligeiramente correspondentes no site da Wildmind em português].

Com metta (bondade),
Bodhipaksa

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Dia 1: Trazendo bondade para mente

Começa hoje a meditação 100 Dias de Amor-Bondade! Aqui estão as dicas do professor Bodhipaksa traduzidas do boletim da Wildmind de hoje:

Em um dos ensinamentos sobre a purificação da mente, Buda disse que a atitude básica que devemos cultivar pode ser resumida no seguinte pensamento:

“Que todos estes seres estejam livres de animosidade, livres de opressão, livres de problemas, e que possam cuidar de si mesmos com facilidade”

Tradicionalmente, esta atitude gentil e amorosa começa com a forma como nos relacionamos conosco mesmos. Se a gente adota uma atitude rude dentro de nós, na forma como falamos conosco internamente, então fica mais difícil ter bondade para com os outros.

Assim, além de praticar um pouco de metta como parte de 100 dias de amor-bondade, recomendo que você cultive a bondade consigo próprio no decorrer do dia.

As frases que mais eu uso com mais frequência para cultivar a bondade comigo são:

  • Que eu esteja bem
  • Que eu seja feliz
  • Que eu me sinta à vontade

Tente dizer isso para si mesmo agora, por alguns minutos. Deixe o ritmo das palavras entrar fundo em sua mente. Construa a intenção de ser mais gentil!

E veja se, ao longo do dia, você consegue voltar a soltar esses pensamentos na sua mente em um momento ou outro. Eu estive fazendo isso hoje de manhã, enquanto caminhava para o escritório. De tempos em tempos, enquanto escrevia este este artigo, parei por um momento e pensei em uma das frases. Toda vez que faço isso, me sinto mais feliz. Agora, eu já sigo essa prática há 30 anos, então pode ser que você não se sinta melhor, mais feliz e mais à vontade assim tão rapidamente, mas elas terão um efeito e, muitas vezes, muito rapidamente.

Você pode repetir essas palavras enquanto dirige, cozinha, toma banho ou enquanto está na fila do caixa do supermercado – basicamente, em qualquer momento em que a sua mente esteja simplesmente vagando.

Além do mais, tais frases, quando as temos circulando em nossas mentes, reduzem o fluxo normal dos pensamentos – muitas vezes críticos e auto-críticos – que tendem a emergir no decorrer do dia. Com menos pensamentos críticos circulando, nos sentimos mais felizes.

Mas a eficácia destas frases não se limita a apenas reduzir nossos pensamentos críticos. Toda vez que você solta um destes pensamentos em sua mente, está fortalecendo o seu desejo de ser mais gentil consigo mesmo. E isto tem um efeito. Quando usamos partes específicas do cérebro repetidamente, elas aumentam de tamanho. Portanto, ao cultivar pensamentos de amor por si próprio, você está fortalecendo caminhos no cérebro e trazendo mudanças a longo prazo. Pode confiar neste processo. Ele funciona.

Circule esses pensamentos em momentos aqui e acolá. Pode ser que você se esqueça de fazê-lo por longos períodos. Tudo bem. Toda vez que se lembrar, você estará fortalecendo a intenção de ser gentil consigo mesmo. E isso vai beneficiar não só a você, mas a todo mundo com quem você está em contato.

Com metta (bondade),
Bodhipaksa

Apenas um lembrete: Cem dias de amor-bondade não se trata de um desafio. Você não precisa fazer a prática formal de amor-bondade todos os dias, na verdade sugiro que você pratique em dias alternados com atenção plena, concentração na respiração ou algo similar. E mesmo por cinco minutos é melhor do que nada. Mas eu gostaria de incentivar você a prestar atenção no cultivo da bondade durante suas atividades diárias, todos os dias. Isso vai fazer uma grande diferença para a sua experiência.

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Capa da time magazine: mindfulness

Time Magazine: A Revolução da Mindfulness

A meditação de atenção plena – ou mindfulness – está estampada na capa da edição de fevereiro de 2014 da Time Magazine. O fato do artigo de Kate Pickert sobre a revolução causada por este tipo de meditação – apontada pela jornalista como a “ciência de encontrar foco em uma cultura estressada e multifacetada” – ter sido escolhido como manchete principal parece ser um grande indício de que mindfulness está cada vez mais estabelecida como parte da corrente prevalecente de pensamento moderno. Já era tempo!

Traduzo a seguir a introdução do artigo:

A cada minuto, as passas em minha mão suada ficam mais pegajosas. Elas não parecem particularmente atraentes, mas, instruída pelo meu professor, eu pego uma com meus dedos e a examino. Noto que a pele da uva brilha. Olhando mais de perto, vejo um pequeno entalhe, onde ela esteve um dia pendurada na videira. Eventualmente, coloco a uva passa na minha boca e rolo a coisa enrugadinha para lá e para cá com a minha língua, sentindo sua textura. Por fim, eu a empurro contra meus dentes e a parto. Em seguida, finalmente, mastigo – muito lentamente.

Estou comendo uma uva passa. Entretanto, pela primeira vez na minha vida, estou fazendo isso de forma diferente. Estou comendo conscientemente. Toda essa experiência pode parecer bobagem, mas estamos no meio de uma obsessão popular com a atenção plena como o segredo para a saúde e felicidade – e um corpo crescente de evidências sugere que os benefícios são claros. A aula que eu estou tomando é parte de um currículo chamado Redução de Stress com Base em Mindfulness (MBSR), desenvolvido em 1979 por Jon Kabat- Zinn, um cientista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

O exercício com as passas nos lembra o quão difícil pensar em apenas uma coisa de cada vez se tornou. Se a distração é condição preeminente de nossa era, então a atenção plena, aos olhos de seus entusiastas, é a resposta mais lógica.

Fonte: The Mindful Revolution – TIME. Ao que tudo indica, o artigo completo em inglês pode ser lido aqui.

Escolas “problemáticas” transformam-se com meditação

Meditação está propiciando melhoria de notas, aumento de frequência e declínio da violência nas escolas de ensino médio mais  “problemáticas”  de San Francisco, nos Estados Unidos. A mudança no comportando foi notada depois da adoção, em 2007, do programa Quiet Time (Tempo Tranquilo), uma estratégia de redução de estresse baseada em meditação: duas vezes por dia, um gongo interrompe o barulho nas salas de aula e os adolescentes, que normalmente não conseguem ficar parados por nem 10 segundos, fecham os olhos e tentam esvaziar suas mentes.

Se estudos mostram que a integração da meditação ao cotidiano de uma escola pode melhorar significativamente a vida dos estudantes, a prova está na prática e pode ser vista na mudança de comportamento sentida na primeira escola pública dos Estados Unidos a adotar o programa, em 2007. A  Visitacion Valley Middle School fica situada em um bairro violento, onde nove tiroteios foram registrados em dezembro de 2013, e a maioria dos alunos matriculados na escola conhece alguém que já levou ou disparou tiros.

Esses alunos, antes considerados “fora do controle”, eram conhecidos por frequentemente envolver-se em brigas nos corredores, rabiscar as paredes e agredir professores. As taxas de absentismo estavam entre as mais altas da cidade e os professores, desgastados, adoeciam rotineiramente. Para remediar o problema, a escola tentou desde o aconselhamento e apoio psicológico, incentivo aos esportes e aulas particulares depois da escola – nada com muito efeito, até que o Quiet Time for instituído.

No primeiro ano de Quiet Time, o índice de suspensões caiu em 45 por cento. Em quatro anos, esse índice ficou entre os mais baixas da cidade. Em contraponto, as taxas de frequência diária subiram para 98 por cento, bem acima da média municipal. As notas também melhoraram significativamente, e cerca de 20 por cento dos alunos da Visitacion Valley Middle School passaram a ser admitidos na escola Lowell High School – mais disputada – uma raridade antes do programa. Segundo levantamento anual Crianças Saudáveis da Califórnia​​, esses jovens de ensino médio alcançaram os maiores níveis de felicidade de San Francisco.

De acordo com David L. Kirp, professor de políticas públicas da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e autor de “Improbable Scholars: The Rebirth of a Great American School District and a Strategy for America’s Schools” (Estudiosos  Improváveis: O Renascimento de um Grande Distrito Escolar Norte-americano e uma Estratégia para as Escolas da América do Norte, em tradução livre), as outras três escolas que adotaram o Quiet Time apresentam relatórios  igualmente positivos, com estudantes em escolas participantes sofrendo significativamente menos de estresse e depressão e apresentando maior auto-estima, comparando com alunos não participantes. Os professores também relatam sentirem-se menos desgastados emocionalmente e mais resilientes.

meditação estudantes celebridades

Barry Zito, David Lynch, Russell Brand meditam com estudantes na escola Burton High durante o Quiet Time. Foto: Lea Suzuki, The Chronicle

Dentre os apoiadores do programa Quiet Time estão alguns grandes nomes, como o diretor de cinema David Lynch, o ex- arremessador Giants Barry Zito e do ator e comediante Russell Brand (foto ao acima).

Fontes:
San Francisco Chronicle
SF’s Toughest Public Schools Calmed — By Meditation

Citação

Como mudar o mundo sem se mexer

Qual, dentre todas as coisas que podemos encontrar no mundo, nos dará a maior felicidade, alegria, paz de espírito, auto-amizade, clareza, visão, presença, é totalmente gratuita, mas invariavelmente ignorada? Sim, você acertou, é a meditação – o presente mais valioso que você poderia dar a si mesmo! Procuramos a paz em todos os cantos e gastamos uma fortuna pensando em algo que nos trará felicidade, enquanto elas estão, e sempre estarão, dentro de nós. E não é apenas isso, mas tudo o que obtemos, podemos perder, mas aquilo que está dentro de nós, temos para sempre!

No entanto, aqueles que chegam pela primeira vez à meditação às vezes se deparam com uma infinidade de conselhos e técnicas que podem desorientar ou confundir: Para onde ir? O que fazer? Qual é a melhor? Como começar? Como escolher entre meditação transcendental, recitação de mantras, kundalini, vipassana, atenção plena, consciência da respiração, shamata, visualização, redução de estresse baseada em atenção plena (MBSR), amor-bondade (metta), e tantas outras? A melhor maneira é experimentá-las e ver o que funciona para você – somos todos diferentes! É importante lembrar que a técnica é apenas uma maneira de alcançar alguma coisa, não a coisa si. A verdadeira meditação é espontânea, natural, vem de dentro, enquanto a técnica é simplesmente o método aprendido para nos ajudar a ter essa experiência. Todas as técnicas são projetadas para ajudar a acalmar a mente, trazer a nossa atenção para dentro, e fazer com que a gente se concentre apenas no momento presente, para que a experiência de meditação ocorra naturalmente.

Quanto mais a meditação se torna parte de sua vida, mais você muda e evolui; quanto mais você mudar e evoluir, mais a sociedade se transforma e o mundo muda na direção de um lugar mais sábio e mais agradável de se viver. E tudo que você precisa fazer para que essa cadeia de eventos ocorra é ficar parado!

Tradução minha de trechos de um  artigo publicado hoje no The Huffington Post sobre como mindfulness é o caminho direto para a felicidade, escrito por Ed e Deb Shapiro, co-criadores do RevolutionaryMindfulness.com e autores de Be The Change (creio que ainda sem tradução em português).