Dia 6: Olhando com um olhar amoroso

Tradução da newsletter do sexto dia da campanha 100 Dias de Amor-Bondade, da Wildmind:

Vou compartilhar aqui uma maneira de se relacionar, que chamo de “olhar amoroso”. Se você participou do nosso desafio 28 dias de Meditação, será algo muito familiar. Peguei esta abordagem é emprestada de Jan Chozen Bays, que descreve a prática de “olhos amorosos” em Como Domar um Elefante. Neste livro, ela diz:

Sabemos usar olhos amorosos quando estamos nos apaixonando, quando vemos um bebezinho ou um animal fofinho. Por que não usar os olhos amorosos com mais frequência?

Então o que podemos fazer é nos lembrar, ou até mesmo apenas imaginar, a experiência de olhar com olhos amorosos. Podemos recordar ou imaginar que estamos olhando para um filho amado, um bem-querer, ou até mesmo um animal de estimação. Eu sempre me lembro de quando vejo os meus filhos dormindo. Acho que os sentimentos de carinho, apreço e aceitação são muito transferíveis, então uma vez que a gente tenha evocado um olhar amoroso dessa forma, podemos transferir os mesmos sentimentos ao olhar amorosamente para nós mesmos. Ao observar nosso corpo,  respiração, pensamentos, etc, podemos olhar para eles com olhos amorosos.

E uma vez que a gente o tenha evocado para nós mesmos, podemos então transferir o olhar amoroso para os outros: amigos, pessoas que não conhecemos, pessoas que estejam passando por dificuldades, animais, todos os seres…

Eu acho que esta é uma maneira muito rápida de ajudar a bondade a surgir.

E quando fazemos isso, tudo o que experimentamos parece tornar-se mais suave e mais leve. O mundo aparenta ser um lugar mais bonito, às vezes de tirar o fôlego. Mesmo as partes feias da vida parecem bonitas em sua feiúra. Podemos sentir que estamos apaixonados pela vida. E começamos a perceber que o mundo é a nossa experiência do mundo, o que não é separável de nós mesmos. E assim, quando mudamos, o mundo como percebemos também muda. O mundo de nossa experiência se torna mais amoroso, mais leve.

Há algo que Chozen diz sobre isso que sempre me deixa sentindo como se meu coração estivesse todo aberto:

Ver com olhos de amor não é uma experiência de via única, nem apenas uma experiência visual. Quando tocamos algo com olhos amorosos, levamos um certo calor do nosso lado, mas também podemos nos surpreender ao sentir o calor irradiando de volta para nós. Começamos a nos perguntar: será que tudo no mundo é feito de amor? E será que eu o estou bloqueando? [grifo nosso]

Experimente, tanto em sua prática de meditação quanto no seu cotidiano. Você pode começar agora mesmo, enquanto seus olhos passam pelas palavras na sua frente. Olhe com amor e, em seguida, leve esse olhar amoroso para a sua próxima atividade.

Com metta (bondade),
Bodhipaksa

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Dia 5: Encorpando amor-bondade

Tradução da newsletter do quinto dia da campanha 100 Dias de Amor-Bondade:

Há muita confiança em se tratando de amor-bondade, especialmente no que diz respeito a amor-bondade para consigo mesmo (auto- metta), e essa confiança se reflete-se no corpo. Quando estamos nos sentindo amorosos conosco ou com outros, ficamos eretos, o peito é aberto – o coração fica aberto – e relaxamos. Há uma sensação de suavidade, mas também de força. Metta definitivamente não é um estado fraco ou passivo. Trata-se de uma postura confiante.

Muitas vezes, quando nos falta a confiança, afundamos. Os ombros rolam para a frente. O peito desaba, de modo que não dá para respirar bem. O coração se fecha. Olhamos para baixo, o que limita os nossos horizontes, tanto literal quanto figurativamente. Viramos para dentro e ruminamos de uma maneira que nos faz sentir ainda pior. Você não pode ser gentil consigo mesmo ou com os outros em tal postura.

Agora, pesquisas mostram que a nossa postura está intimamente relacionada ao nosso senso de confiança, e que este é mensurável. Amy Cuddy explica em uma palestra do TED muito conhecida que quando as pessoas estão em uma postura confiante – as posições clássicas de Mulher Maravilha ou Super Homem, com as pernas afastadas, as mãos nos quadris, o peito aberto, olhando para a frente – os níveis de testosterona são estimulados. A testosterona, ao contrário da crença popular, não é apenas um hormônio masculino. É encontrado em homens e mulheres. E está relacionado à confiança, um senso de competência e auto-estima. E a mesma postura confiante também reduz os níveis de cortisona (um hormônio do estresse) no sangue, reduzindo os níveis de estresse e ansiedade.

Estas mudanças em nossos níveis hormonais ocorrem depois de apenas dois minutos, o que é bastante surpreendente. Não demora muito para que a nossa fisiologia mude em resposta a nossa postura. Em apenas dois minutos, você pode se sentir mais confiante e forte.

Sugiro então que você tente fazer isso como uma prática. Quando estiver em pé ou sentado, ou mesmo trabalhando na frente de um computador ou posicionado para a meditação, tente manter o corpo ereto e o peito aberto por pelo menos dois minutos. Sinta o tom da sensação – espero que de confiança – de adotar uma postura aberta e ereta.

Mas também permita que o corpo amoleça. Deixe a sua musculatura relaxar um pouco. Traga a sua consciência para o coração, respire naquela região do corpo e ative o nervo vago, de modo que o coração sinta-se brando e aberto. E, em seguida, deseje que você, e o resto do mundo, estejam bem.

Com metta (bondade),
Bodhipaksa

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