Médicos alertas, pacientes felizes

Um novo estudo mostra que médicos com prática de mindfulness (atenção plena) se comunicam melhor com os pacientes e prestam cuidados de melhor qualidade. 

Um volume significativo de pesquisas aponta para os benefícios da prática de mindfulness para profissionais de medicina. Praticar mindfulness pode reduzir o esgotamento e melhorar o bem estar de médicos.

Uma nova pesquisa mostra que a prática de atenção plena da parte do médico é uma boa notícia também para os pacientes: o estudo, publicado no Annals of Family Medicine (Anais de Medicina da Família), mostra que médicos com prática de atenção plena se comunicam melhor com os pacientes e prestam cuidados de melhor qualidade.

No estudo da universidade de John Hopkins, Mary Catherine Beach e alguns colegas administraram questionários para medir a habilidade de atenção plena de 45 médicos que cuidavam de pacientes com HIV nos Estados Unidos. Em seguida, os pesquisadores gravaram a interação destes médicos com seus pacientes. Eles também entrevistaram os pacientes para ouvir a perspectiva deles quanto a qualidade dos cuidados médicos.

Quando os pesquisadores analisaram as gravações de áudio das interações entre médicos e pacientes, descobriram que os médicos com mais prática de mindfulness demonstraram comunicação mais centrada nos pacientes – ou seja, passaram mais tempo estabelecendo uma relação com os pacientes e falaram mais sobre a experiência deles, em vez de apenas focalizar no aspecto biomédico da doença. Eles também apresentaram um tom emocional mais positivo, passaram mais tempo visitando os pacientes e tiveram melhor avaliação da qualidade da comunicação e cuidado da parte dos pacientes.

Por que será que a atenção plena apresenta este efeito? Os pesquisadores acreditam que por mindfulness envolver atenção, curiosidade e presença, a prática promove uma consciência maior de si mesmo e dos outros. Esta consciência pode vir a ajudar os médicos a melhor prestar atenção à experiência da outra pessoa, permitindo responder aos pacientes com mais compreensão, empatia e compaixão.

Entretanto, enquanto este estudo demonstra que mindfulness e cuidados de mais de alta qualidade estão correlacionados, a pesquisa não prova que a atenção plena cause um cuidado de maior qualidade; uma pesquisa futura deve investigar se uma intervenção de mindfulness melhoraria diretamente a qualidade dos cuidados do médico, a fim de excluir outros fatores que podem vir a esclarecer a correlação.

Os pesquisadores também acham que a pesquisa deveria investigar se a percepção de melhor qualidade do cuidado e comunicação conduz os pacientes a melhores resultados na saúde. Segundo eles, “em uma era em que muitos médicos sofrem com esgotamento profissional, a atenção plena na prática pode ser a maneira de médicos não apenas cuidarem de si próprios, mas também curar seus pacientes”.

Fonte: Greater Good, tradução minha.

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Mais mindfulness, menos meditação

Artigo de Tony Schwartz, postado originalmente no The New York Times DealBook em 31 de janeiro de 2014, com tradução (não autorizada) minha. Sobre o autor: Tony Schwartz é presidente-executivo do Energy Project e autor do livro Envolvimento Total: Gerenciando Energia e Não o Tempo.

Eis a promessa: Meditação – e em particular meditação mindfulness (atenção plena) – reduzirá o seu nível de cortisol, pressão arterial, ansiedade social e depressão. Vai aumentar a resposta de seu sistema imunológico, resistência e foco, e melhorará seus relacionamentos – inclusive consigo mesmo. Também reforçará o seu desempenho no trabalho e proporcionará a paz interior. Pode até mesmo curar a psoríase.

O rapper 50 Cent medita, assim como Lena Dunham e Alanis Morissette. Steven P. Jobs meditava e a prática de mindfulness está varrendo o Vale do Silício. De sábado a oito, 2 mil executivos de tecnologia e outros candidatos participarão da Wisdom 2.0, uma conferência esgotada que tornou-se repentinamente um evento imperdível para os entendidos. Até mesmo Rupert Murdoch tentou meditar, resumindo sua tentativa em um tweet a la haikai: “Todo mundo recomenda, não é fácil começar, mas dizem que melhora tudo”.

É mesmo? Pelo que vale, não concordo.

Eu aprendi a meditar há 25 anos, construí uma prática diária de atenção plena e passei centenas de horas sentado com os olhos fechados e as pernas cruzadas. Também entrevistei dezenas de praticantes de meditação, incluindo os professores mais proeminentes, para um livro que escrevi em 1995 chamado “What Really Matters: Searching for Wisdom in America” [O que realmente importa: A procura pela sabedoria na América do Norte, em tradução livre].

Mas quanto mais tempo eu passava meditando, menos valor que eu tirava da prática. O que não quer dizer que eu ache que não traga nenhum benefício.

A definição mais simples de meditação é aprender a fazer uma coisa de cada vez. Construir a capacidade de acalmar a mente tem inegável valor em tempos em que nossa atenção encontra-se sob cerco fechado, e a distração se tornou nosso estado estacionário. A meditação – em dose correta – também é importante como uma forma de relaxar o corpo, acalmar as emoções e refrescar a energia da pessoa. Há evidências cada vez maiores de que a meditação traz alguns benefícios para a saúde.

Eu não vejo muitas evidências, entretanto, de que a meditação leva as pessoas a se comportarem melhor, melhora seus relacionamentos ou as torna mais felizes.

Considere o que Jack Kornfield tem a dizer sobre a meditação. Na década de 70, depois de passar vários anos como um monge no Sudeste da Ásia, Kornfield foi um dos primeiros norte-americanos a levar a prática da atenção plena para o Ocidente. Ele continua sendo um dos professores de mindfulness mais conhecidos, além de trabalhar como psicólogo.

“Enquanto eu me beneficiei enormemente da formação nos mosteiros tailandeses e birmaneses onde pratiquei”, escreveu ele, “notei duas coisas marcantes. Primeiro, havia áreas principais de dificuldades na minha vida, como solidão, relacionamentos íntimos, trabalho, feridas da infância e padrões de medo que nem mesmo a meditação muito profunda tocou”.

“Em segundo lugar, dentre as várias dezenas de monges ocidentais (e muitos meditadores asiáticos) que conheci durante minha temporada na Ásia, com algumas exceções notáveis, a maioria não foi ajudada pela meditação em grandes áreas de suas vidas. Meditação e prática espiritual podem ser facilmente usadas para suprimir e evitar sentimentos ou para escapar de áreas difíceis de nossas vidas”.

Então, como usar a meditação para tirar melhor proveito?

Em primeiro lugar, não espere mais do que ela pode fazer.

No mundo moderno, a meditação é muito mais eficaz como uma técnica de auto-gestão, e não como um meio de transformação pessoal nem muito menos para a iluminação.

Em segundo lugar, comece com simplicidade.

Mindfulness – ou “vipassana” – é um tipo específico de prática meditativa do budismo Theravada. Trata-se de aprender a observar os pensamentos, sentimentos e sensações que podem surgir e passar, sem prender-se a eles. Ao construir a capacidade de testemunhar a própria experiência, sem apego ou reação, segundo o ensinamento, a pessoa lentamente começa a ver além da ilusão de permanência e separação.

O problema com a atenção plena como um ponto de partida é que trata-se de uma prática avançada. No ensino tradicional, os alunos aprendem primeiro a estabilizar a atenção através de “samatha”, ou meditação de concentração. A concentração envolve o foco em um único objeto de atenção, tal como a respiração ou mantra, como na meditação transcendental. Somente quando os alunos aprendem a acalmar a mente de forma confiável – um processo que muitas vezes leva anos – é que a prática mais sutil e avançada de vipassana é introduzida.

Na minha experiência, a meditação de concentração é uma forma mais simples e mais confiável do que a atenção plena para ajudar no controle de sua atenção, calma e relaxamento – especialmente para aqueles que estão nos estágios iniciais da prática.

Finalmente, não presuma que mais é melhor.

“A prática de mindfulness tem seus benefícios”, afirmou Catherine Ingram, autora do livro Passionate Presence [Presença Passional, em tradução livre], “mas no meu caso, após 17 anos de prática, cheguei a um ponto em que observar mentalmente minha respiração, pensamentos e sensações se tornou cansativo, uma sensação de sempre ter dever de casa e de constantemente picar a realidade em pedacinhos”.

Até mesmo alguns minutos sentando-se calmamente e seguindo a respiração ajuda bastante. Eu considero especialmente eficaz inspirar a uma contagem de três e expirar a uma contagem de seis – efetivamente estendendo a expiração e aprofundando a experiência de relaxamento. A contagem é também um objeto eficaz de atenção, e, em função disso, aumenta a concentração.

Eu também descobri que é realmente mais prático se concentrar e relaxar por um minuto ou dois várias vezes por dia do que meditar por um longo período e em constante batalha contra a distração ao longo do caminho.

Há uma diferença entre a meditação mindfulness e simples mindfulness. Esta última não é uma prática separada da vida cotidiana. Mindfulness significa simplesmente nos tornar mais consciente do que estamos sentindo, trazer mais intenção para nossos comportamentos e estar mais atentos ao nosso impacto sobre os outros. Tem a ver com presença – o que a Ingram chama de “se manter silencioso e simples por dentro, em vez de desempenhar qualquer tarefa mental que seja”.

O verdadeiro desafio não é o que somos capazes de fazer com nossos olhos fechados. É ser mais auto-conscientes no cadinho da nossas vidas cotidianas, e nos comportarmos melhor como resultado. Isso é mindfulness em ação.

Foto do destaque: ConnectIrmeli (CC BY-NC-ND 2.0)

USP procura voluntários para pesquisa sobre meditação e estresse

O Centro de Saúde Geraldo de Paula Souza da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP procura voluntários para participar do projeto de pesquisa Aplicação da Meditação da Atenção Plena em Pacientes com Estresse.

O estresse é uma condição de desequilíbrio do sistema psico-neuro-endócrino-imunológico. O indivíduo com estresse sente mal estar subjetivo, desequilíbrio emocional, mau humor, irritação, insônia, cansaço, falta de atenção e concentração, dentre outros. O constante estado de alerta associado ao estilo de vida moderno, debilita o sistema imunológico, favorecendo o surgimento e a evolução de doenças.

A meditação busca conhecer o funcionamento da mente para reduzir o sofrimento e promover o bem estar emocional. Trata-se de uma ciência da consciência. As técnicas de meditação visam a redução e administração do estresse.

Para participar, os voluntários precisam ter entre 30 e 55 anos, apresentar alguns dos sintomas acima descritos e ter disponibilidade para comparecer em todos os encontros, que vão acontecer nas sextas-feiras de março a abril das 15 horas às 16h30. Serão oito encontros, de 7 de março a 25 de abril, na sala Walter Breda da FSP (Av. Dr. Arnaldo, 715, próximo ao metrô Clínicas, Cerqueira César, São Paulo).

Os interessados deverão enviar um email entre os dias 1 e 23 de fevereiro para meditacaofsp@gmail.com informando nome, idade, sexo, email e telefone para contato. Os candidatos serão submetidos a uma entrevista onde serão selecionados os participantes do projeto. O pesquisador responsável é o professor Rubens de Aguiar Maciel. Mais informações: (11) 3061-7726.

Fonte: USP Online

Dia 0: Sobre os 100 Dias de Amor-Bondade

O projeto 100 Dias de Amor-Bondade começa amanhã, 31 de janeiro. Aqui estão algumas dicas úteis enviadas por Bodhipaksa, professor da comunidade budista Wildmind no boletim de hoje, traduzidas com permissão:

O que é meditação de amor-bondade?
A meditação de amor-bondade (também conhecida como meditação da compaixão, do inglês loving-kindness) é uma prática através da qual entramos em contato e fortalecemos nosso desejo inato de que todos os seres, incluindo nós mesmos, sejam felizes. Amor-bondade é simplesmente bondade, embora no que diz respeito à meditação, a prática pode vir a apresentar uma forte qualidade de amor.

O que estaremos praticando?

Serão exploradas quatro práticas tradicionais relacionadas aos chamados “pensamentos imensuráveis​​” ou “moradas divinas” (Brahma- viharas) por 25 dias cada:

  • Amor-bondade (metta): uma atitude básica de querer que todos os seres (incluindo nós mesmos) sejam felizes.
  • Compaixão (karuna):  desejo de que todos os seres estejam livres de sofrimento, de modo que possam ser felizes.
  • Apreciação alegre (mudita): desejo de que todos os seres desenvolvam habilidades que os conduzam à experiência de alegria e paz.
  • Amar com sabedoria (upekkha): desejo de que todos os seres desenvolvam as qualidades de percepção que levam à paz e alegria permanentes.

Algumas dessas descrições podem soar um pouco estranhas, mas essas pontes conceituais serão atravessadas quando chegar o momento.

Espera-se que a meditação de amor-bondade seja praticada todos os dias?

Não seria muito realista tentar fazer a meditação de amor-bondade todos os dias, já que isso a tornaria a sua única prática. Algumas pessoas acham que, para elas, funciona bem desse jeito, mas outras acham que precisam equilibrar a prática de amor-bondade com outras meditações, como atenção plena e consciência da respiração. Se você encontra-se na última categoria, sugiro que faça a prática de amor-bondade pelo menos em dias alternados.

Trata-se de um desafio de meditação?

Não. Eu certamente recomendo que você medite diariamente, e adote o meu mantra (“Eu medito todos os dias, é algo que faço, é parte de quem eu sou”), mas esses cem dias são simplesmente uma oportunidade de aprofundar mais a sua prática. Meditar diariamente ajuda, mas mesmo que você não medite todos os dias, ainda assim pode se beneficiar. E lembre-se, é melhor meditar por cinco minutos a cada dia do que ter objetivos demasiadamente ambiciosos que você não conseguirá cumprir.

Acompanhe todas as traduções dessa série aqui.

alagamentos em oxford

Meditação ‘viraliza’ no Reino Unido

“Atenção plena está viralizando”. Essa foi a conclusão de Sarah Matheson, assistente  do abade Dr Khammai Dhammasami em artigo publicado no Oxford Mail nesta semana, na sequência do sucesso inesperado do último retiro de meditação organizado pelo Oxford Buddha Vihara (OBV), no Reino Unido.

O evento lotou contra todas as expectativas, uma vez que a previsão do tempo alertou para mais chuva na área, que na semana anterior havia sido assolada pela pior enchente já vista pelos moradores da rua Abingdon Road, onde o centro fica. No site da organização, um aviso prévio antes do retiro de meditação planejado para o fim de semana de 11-12 de janeiro, anunciava:

Queridos amigos,

Essa nota é para informá-los que a Abingdon Road, rua da frente do OBV, está debaixo d’água, inundada, e por isso o centro está fechado desde segunda-feira. Para chegar à Vihara, você precisa estacionar o carro no Redbridge Park and Ride, que fica a três minutos de caminhada. Por favor, venham munidos de galochas de cano alto pois para chegar à OBV será preciso atravessar a água, que está batendo na metade da canela na calçada e mais fundo até os joelhos na trilha em si. O tráfego na Abingdon Road está fechado, incluindo todos os transportes públicos. A sessão de meditação de sexta-feira à noite e o retiro mensal deste fim de semana estarão funcionando normalmente.

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A fotos acima foram publicadas no site Oxford Buddha Vihara (OBV) para alertar aos meditadores para a jornada que os esperava. Apesar do alerta, muitas pessoas muniram-se de guarda-chuva e galocha e enfrentaram o clima ruim, e como resultado, “a sala de meditação ficou tão cheia que tivemos de abrir outra”. A determinação dos “meditadores de galocha” para participar de um fim de semana de atenção plena, segundo Sarah, é decorrente  da recente popularidade dos programas de atenção plena:

Com a adoção pelo estabelecimento médico, [atenção plena] é agora considerada um dos tratamentos mais eficazes para uma gama de condições que vai de depressão, ansiedade e dependência químicas a distúrbios alimentares e dor crônica. O sucesso da técnica vem sendo amplamente documentado com provas intrigante de padrões muito particulares vistos em imagens de tomografia do cérebro de meditadores

A meditação de atenção plena – mindfulness em inglês – é uma técnica de observação do momento presente que leva a pessoa a despertar para a verdadeira natureza da mente, e consequentemente, de si mesma.

Vídeo

Bastam 10 minutos de atenção plena

Quando foi a última vez que você ficou sem fazer nada por 10 minutos? Sem enviar mensagens de texto, conversar or mesmo pensar? Andy Puddicombe (do Headspace), especialista em meditação, descreve o poder transformador de fazer apenas isso: revigorar a mente com 10 minutos por dia, simplesmente estando consciente e experienciando o momento presente (sem precisar de incenso ou sentar em posições estranhas).

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Time.com: “Precisamos levar meditação mais a sério como medicamento”

Em artigo no site da Time Magazine, a repórter de saúde e estilo de vida Jacoba Urist defende que meditação seja mais considerada como remédio. Ela comenta a pesquisa publicada na semana passada no Journal of the American Medical Association – JAMA – sugerindo que a meditação ajuda pacientes com depressão, ansiedade e dor, além de outros estudos demonstrando a influência mensurável de meditação sobre o cérebro humano – provando que a prática de atenção plena pode fazer com que as pessoas sintam-se mais felizes, tenham maior resiliência emocional e adoeçam menos.

A pesquisa do Dr. Madhav Goyal, professor de medicina na Universidade Johns Hopkins, concentra-se nos efeitos da meditação em pacientes que sofrem de dor crônica e estresse, bem como meios de baixo custo para melhorar a saúde de moradores da zona rural da Índia. Como o autor principal do estudo recentemente publicado no JAMA, ele revisou 47 estudos clínicos envolvendo mais de 3.500 participantes com ansiedade leve ou depressão, e descobriu que aqueles que praticavam a mediação apresentaram uma melhoria de 5-10% nos sintomas de ansiedade e 10-20% redução dos sintomas depressivos. Essa redução está a par com outros estudos sobre o efeito de  anti-depressivos em populações semelhantes.

Embora os críticos do estudo argumentem que  5-10 % e 10-20% sejam resultados insignificantes, eles admitem que os médicos devem considerar “programas mindfulness por tempo limitado” em vez de “intervenção farmacológica” em alguns casos de ansiedade e depressão. Mas para Jacoba, o mais impressionante na pesquisa é que os pacientes estudados não estavam meditando por muito tempo, ou seja, não eram “meditadores experientes”. Muitos deles meditaram por apenas 2h30 por semana durante dois meses. Considerando que a meditação é uma habilidade que se aprende ao longo do tempo, Dr. Madhav afirma que é improvável que os entrevistados houvessem chegado a um alto nível de especialização, de onde pode se concluir que quanto mais disciplinadamente as pessoas praticarem, maiores serão os benefícios.

O problema, ela continua, é que muitas pessoas confundem meditação com ioga ou outros tipos de medicina complementar, superestimam o tempo necessário para desenvolver uma prática eficaz de meditação, e desconhecem as evidências apontadas pela neurologia de que meditação melhora o funcionamento do cérebro. Da parte da classe médica, alguns profissionais podem duvidar do valor da meditação por estarem inseridos em  uma cultura que toma como base uma medição quantitativa, em dados – sem considerar que algumas coisas são mais fáceis de medir do que outras, e as vantagens da meditação, como uma experiência intrinsecamente subjetiva, se enquadra dentre aquelas mais difícil de se mesurar.  Sem falar na falta de uniformidade do que meditação é e como deve ser praticada, mediante as várias modalidades possíveis.

Essa conclusão é minha, e não da autora do artigo na Time.com: médicos e pacientes devem, portanto, ter a mente um pouco mais aberta e não desqualificar a meditação por causa dessa falta de diretrizes fixas. E aliás, os pacientes nem precisam esperar recomendação médica para começar a adotar uma prática meditativa em suas vidas, em paralelo ao tratamento convencional. Afinal de contas, e literalmente, não custa nada tentar.

Leia o artigo completo em inglês: We Need To Take Meditation More Seriously As Medicine | TIME.com

Post relacionado: Estudo sugere que meditar meia hora por dia alivia ansiedade, depressão e dor

Desafio: 21 dias a meditar

Encontrei hoje o blog da Margarida Cardoso, com logo aceitei o desafio de passar 21 dias meditando.

A ideia é mostrar que a prática faz o monge: se é difícil começar a praticar a meditação, a solução é usar a força de vontade para tornar a prática um hábito, um ritual, uma rotina – parte do nosso cotidiano. Assim como escovar os dentes.

Normalmente, esse é o tempo necessário para estabelecer um hábito novo, portanto eis o desafio:

Tenho a propor um desafio de 21 dias. Se falharmos um dia, recomeçamos do zero. E porquê 21 dias? Dizem que precisamos de 3 semanas para instalar um novo hábito. Não sei se é verdade, mas temos de começar de alguma forma.

Na primeira semana começaríamos com 15 minutos por dia (no momento do dia mais conveniente para cada um). Na segunda semana tentaríamos os 20 min. E depois os 25min. Se não conseguir, escolha um período de tempo mais curto… mas comece (e se já é um meditante experiente… aumente a fasquia!)

A Margarida destaca ainda a importância da motivação e do compromisso para conosco mesmos – e assumir um compromisso perante um grupo ajuda, assim todos podemos motivar uns aos outros. E fica mais divertido! Para fazer parte, inscreva-se aqui, e a cada dia você receberá um email de lembrete. Se precisar de ajuda, eis os conselhos da Margarida para principiantes.

Um tiquinho da minha experiência – já participei de alguns vários desafios do tipo, promovidos a cada estação pelo Chopra Center Meditation, mas confesso que nunca consegui acabar nenhum deles, pois ficava desmotivada se faltasse um dia ou outro, e como as meditações guiadas só ficavam no ar por um determinado tempo, eu acabava não conseguindo chegar ao fim. A diferença da proposta da Margarida é que em caso de falta devemos recomeçar do zero – não tem como dar errado!

E considerando que já estou meditando diariamente desde o dia 23 de dezembro (quando lancei o desafio para mim mesma), me dou conta que completei ontem meus primeiros 21 dias, e posso dar meu testemunho positivo: estou adorando, e hoje até acordei mais cedo para meditar mais (então, Margarida, já estava no desafio e não sabia!). Seria a prova de que o hábito enraizou-se em mim?

Margarida Cardoso

Quase todos os praticantes de meditação estão de acordo: custa começar a praticar, sentar, fazer disso um hábito, um ritual, uma rotina no nosso dia-a-dia.

É importante refletir na nossa motivação, rever prioridades, mas também assumir um compromisso para connosco– e para reforçar o compromisso, assumi-lo perante outros.

Tenho a propor um desafio de 21 dias. Se falhar um dia, recomeça do zero. E porquê 21 dias? Dizem que precisamos de 3 semanas para instalar um novo hábito. Não sei se é verdade, mas temos de começar de alguma forma :)

Na primeira semana começaria com 10/15 minutos por dia (no momento do dia mais conveniente para si). Na segunda semana tentaria os 20 min. E depois os 25 min. Se não conseguir, escolha um período de tempo mais curto… mas comece (e se já é um meditante experiente… aumente a fasquia!)

Pode encontrar alguns conselhos aqui e aqui.

Ver o post original 12 mais palavras

Citação

Salve o seu dia

Não importa quão ocupados possamos estar, ou pensamos estar, ninguém nos paga o suficiente para se dar ao luxo de demandar nossos recursos mentais, todos os momentos do dia. Até mesmo durante o trabalho podemos dedicar quinze segundos aqui e sessenta segundos ali para equilibrar nossa atenção, concentrando-nos em nossa respiração. Podemos deixar nossos olhos abertos e nos sentarmos calmamente por alguns instantes, sem chamar a atenção. Podemos fazer isso em nosso local de trabalho, enquanto estamos na fila do banco, ou esperando o ônibus. Existem muitas breves ocasiões, desde que nos levantamos pela manhã até quando vamos dormir à noite, onde podemos “salvar o nosso dia” com uma “pitada” de atenção plena à respiração. Cada vez que fazemos isso, podemos sentir imediatamente o efeito revigorante em nossos corpos e em nossas mentes. Dessa forma, podemos começar a integrar a qualidade da percepção, que cultivamos durante a meditação, com a percepção que trazemos para nossas atividades no mundo durante o dia.

Alan Wallace, em A Revolução da Atenção. Fonte: Cultivando o Equilibrio.

Estudo sugere que meditar meia hora por dia alivia ansiedade, depressão e dor

Uma análise de 47 testes clínicos com um total de 3.515 participantes que praticavam diferentes técnicas de meditação e sofriam de diversos problemas mentais e físicos – entre eles depressão, ansiedade, estresse, insônia, diabetes ou câncer – mostrou que o alívio de sintomas seria semelhante ao efeito de antidepressivos. O estudo foi publicado na edição on-line do Journal of the American Medical Association. Segundo Madhav Goyal, professor adjunto de medicina interna na universidade Johns Hopkins e principal autor do estudo:

Um grande número de pessoas recorre à meditação mas este exercício não é considerado parte de alguma terapia médica. Mas na nossa pesquisa, a meditação parece aliviar os sintomas da ansiedade e de depressão, tanto quanto os antidepressivos em outros estudos

Constatando que a meditação conhecida como mindfulness (em português atenção plena ou plena consciência) mostrou-se particularmente promissora na redução da ansiedade, depressão e dor, o pesquisador explicou o que foi considerado meditação para o estudo:

Muitas pessoas acham que a meditação significa apenas sentado em silêncio sem fazer nada. Isso não é verdade. É uma formação ativa da mente para aumentar a conscientização, e diferentes programas de meditação abordam isso de maneiras diferentes.

A equipe de pesquisadores constatou entre 5 e 10 por cento de melhoria nos sintomas de ansiedade entre as pessoas que participaram da meditação mindfulness, em comparação com aqueles que fizeram uma outra atividade. Houve também uma melhoria de 10 a 20 por cento nos sintomas de depressão entre aqueles que praticavam mindfulness, em comparação com o outro grupo.

O estudo conclui que a classe médica precisa estar melhor informada sobre os possíveis benefícios da meditação:

Médicos devem estar preparados para falar com pacientes sobre o papel que um programa de meditação pode ter no tratamento de estresse psicológico. Modelos de estudo mais rigorosos são necessários para determinar os efeitos de programas de meditação na melhoria de dimensões positivas de saúde mental e do comportamento relacionado ao estresse

Fontes:
Press-release original do Journal of the American Medical Association (JAMA)
Notícia da France Presse publicada na coluna bem-estar de Globo.com em 07/01/2014
Artigo da Reuters: Meditation may help with anxiety, depression and pain