Dia 5: Encorpando amor-bondade

Tradução da newsletter do quinto dia da campanha 100 Dias de Amor-Bondade:

Há muita confiança em se tratando de amor-bondade, especialmente no que diz respeito a amor-bondade para consigo mesmo (auto- metta), e essa confiança se reflete-se no corpo. Quando estamos nos sentindo amorosos conosco ou com outros, ficamos eretos, o peito é aberto – o coração fica aberto – e relaxamos. Há uma sensação de suavidade, mas também de força. Metta definitivamente não é um estado fraco ou passivo. Trata-se de uma postura confiante.

Muitas vezes, quando nos falta a confiança, afundamos. Os ombros rolam para a frente. O peito desaba, de modo que não dá para respirar bem. O coração se fecha. Olhamos para baixo, o que limita os nossos horizontes, tanto literal quanto figurativamente. Viramos para dentro e ruminamos de uma maneira que nos faz sentir ainda pior. Você não pode ser gentil consigo mesmo ou com os outros em tal postura.

Agora, pesquisas mostram que a nossa postura está intimamente relacionada ao nosso senso de confiança, e que este é mensurável. Amy Cuddy explica em uma palestra do TED muito conhecida que quando as pessoas estão em uma postura confiante – as posições clássicas de Mulher Maravilha ou Super Homem, com as pernas afastadas, as mãos nos quadris, o peito aberto, olhando para a frente – os níveis de testosterona são estimulados. A testosterona, ao contrário da crença popular, não é apenas um hormônio masculino. É encontrado em homens e mulheres. E está relacionado à confiança, um senso de competência e auto-estima. E a mesma postura confiante também reduz os níveis de cortisona (um hormônio do estresse) no sangue, reduzindo os níveis de estresse e ansiedade.

Estas mudanças em nossos níveis hormonais ocorrem depois de apenas dois minutos, o que é bastante surpreendente. Não demora muito para que a nossa fisiologia mude em resposta a nossa postura. Em apenas dois minutos, você pode se sentir mais confiante e forte.

Sugiro então que você tente fazer isso como uma prática. Quando estiver em pé ou sentado, ou mesmo trabalhando na frente de um computador ou posicionado para a meditação, tente manter o corpo ereto e o peito aberto por pelo menos dois minutos. Sinta o tom da sensação – espero que de confiança – de adotar uma postura aberta e ereta.

Mas também permita que o corpo amoleça. Deixe a sua musculatura relaxar um pouco. Traga a sua consciência para o coração, respire naquela região do corpo e ative o nervo vago, de modo que o coração sinta-se brando e aberto. E, em seguida, deseje que você, e o resto do mundo, estejam bem.

Com metta (bondade),
Bodhipaksa

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alagamentos em oxford

Meditação ‘viraliza’ no Reino Unido

“Atenção plena está viralizando”. Essa foi a conclusão de Sarah Matheson, assistente  do abade Dr Khammai Dhammasami em artigo publicado no Oxford Mail nesta semana, na sequência do sucesso inesperado do último retiro de meditação organizado pelo Oxford Buddha Vihara (OBV), no Reino Unido.

O evento lotou contra todas as expectativas, uma vez que a previsão do tempo alertou para mais chuva na área, que na semana anterior havia sido assolada pela pior enchente já vista pelos moradores da rua Abingdon Road, onde o centro fica. No site da organização, um aviso prévio antes do retiro de meditação planejado para o fim de semana de 11-12 de janeiro, anunciava:

Queridos amigos,

Essa nota é para informá-los que a Abingdon Road, rua da frente do OBV, está debaixo d’água, inundada, e por isso o centro está fechado desde segunda-feira. Para chegar à Vihara, você precisa estacionar o carro no Redbridge Park and Ride, que fica a três minutos de caminhada. Por favor, venham munidos de galochas de cano alto pois para chegar à OBV será preciso atravessar a água, que está batendo na metade da canela na calçada e mais fundo até os joelhos na trilha em si. O tráfego na Abingdon Road está fechado, incluindo todos os transportes públicos. A sessão de meditação de sexta-feira à noite e o retiro mensal deste fim de semana estarão funcionando normalmente.

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A fotos acima foram publicadas no site Oxford Buddha Vihara (OBV) para alertar aos meditadores para a jornada que os esperava. Apesar do alerta, muitas pessoas muniram-se de guarda-chuva e galocha e enfrentaram o clima ruim, e como resultado, “a sala de meditação ficou tão cheia que tivemos de abrir outra”. A determinação dos “meditadores de galocha” para participar de um fim de semana de atenção plena, segundo Sarah, é decorrente  da recente popularidade dos programas de atenção plena:

Com a adoção pelo estabelecimento médico, [atenção plena] é agora considerada um dos tratamentos mais eficazes para uma gama de condições que vai de depressão, ansiedade e dependência químicas a distúrbios alimentares e dor crônica. O sucesso da técnica vem sendo amplamente documentado com provas intrigante de padrões muito particulares vistos em imagens de tomografia do cérebro de meditadores

A meditação de atenção plena – mindfulness em inglês – é uma técnica de observação do momento presente que leva a pessoa a despertar para a verdadeira natureza da mente, e consequentemente, de si mesma.

Estudo sugere que meditar meia hora por dia alivia ansiedade, depressão e dor

Uma análise de 47 testes clínicos com um total de 3.515 participantes que praticavam diferentes técnicas de meditação e sofriam de diversos problemas mentais e físicos – entre eles depressão, ansiedade, estresse, insônia, diabetes ou câncer – mostrou que o alívio de sintomas seria semelhante ao efeito de antidepressivos. O estudo foi publicado na edição on-line do Journal of the American Medical Association. Segundo Madhav Goyal, professor adjunto de medicina interna na universidade Johns Hopkins e principal autor do estudo:

Um grande número de pessoas recorre à meditação mas este exercício não é considerado parte de alguma terapia médica. Mas na nossa pesquisa, a meditação parece aliviar os sintomas da ansiedade e de depressão, tanto quanto os antidepressivos em outros estudos

Constatando que a meditação conhecida como mindfulness (em português atenção plena ou plena consciência) mostrou-se particularmente promissora na redução da ansiedade, depressão e dor, o pesquisador explicou o que foi considerado meditação para o estudo:

Muitas pessoas acham que a meditação significa apenas sentado em silêncio sem fazer nada. Isso não é verdade. É uma formação ativa da mente para aumentar a conscientização, e diferentes programas de meditação abordam isso de maneiras diferentes.

A equipe de pesquisadores constatou entre 5 e 10 por cento de melhoria nos sintomas de ansiedade entre as pessoas que participaram da meditação mindfulness, em comparação com aqueles que fizeram uma outra atividade. Houve também uma melhoria de 10 a 20 por cento nos sintomas de depressão entre aqueles que praticavam mindfulness, em comparação com o outro grupo.

O estudo conclui que a classe médica precisa estar melhor informada sobre os possíveis benefícios da meditação:

Médicos devem estar preparados para falar com pacientes sobre o papel que um programa de meditação pode ter no tratamento de estresse psicológico. Modelos de estudo mais rigorosos são necessários para determinar os efeitos de programas de meditação na melhoria de dimensões positivas de saúde mental e do comportamento relacionado ao estresse

Fontes:
Press-release original do Journal of the American Medical Association (JAMA)
Notícia da France Presse publicada na coluna bem-estar de Globo.com em 07/01/2014
Artigo da Reuters: Meditation may help with anxiety, depression and pain

Jornal O Tempo: Mente no presente combate o estresse e previne doenças

Ansiedade e estresse são sentimentos que fazem parte do dia a dia de uma grande fatia da população mundial. Para administrar esses incômodos e ainda proporcionar outros benefícios ao corpo, a meditação é uma forte – e já muito conhecida – aliada. Mas ao contrário do imaginário popular, a limpeza da mente pode ser conquistada por meio de atividades simples, além de ficar sentado na tradicional posição de lótus.

Veja mais nesse artigo de Raquel Sodré, publicado no jornal O Tempo, e também uma curta entrevista com o monge budista Phra John Paramai Dhanissaro, da Tailândia.

Guia Passo a Passo de como meditar – Infográfico do jornal o tempo

Guia Passo a Passo de como meditar – Infográfico do jornal o tempo