amigos de verdade

Dia 10: Amor e bondade naturais

Chegamos ao décido dia da campanha 100 Dias de Amor-Bondade, da Wildmind – o que quer dizer já andamos 10% do caminho (embora a aspiração maior é prática permanente e natural desse amor incondicional por nós mesmos e pelos outros!). Veja aqui a tradução da newsletter de hoje:

As pessoas geralmente acham que praticar amor-bondade é algo difícil. Gostaria de salientar a naturalidade da metta, e como ela surge sem esforço a partir de certas reflexões. Não quero dizer que é fácil viver “mettamente” o tempo todo. Mas amor-bondade não é algo pelo qual temos que lutar.

Para começar com o cultivo de amor-bondade por um amigo, vamos observar que o amigo é alguém por quem já a gente tem metta. Uma das palavras em pali para amigo é “mitta” – podemos notar a semelhança óbvia entre as palavras metta e mitta. Um amigo é alguém cujo bem-estar importa para nós. Quando nossos amigos estão infelizes, ficamos incomodados; quando eles estão felizes, ficamos contentes.

Metta tem essa mesma simplicidade. É fácil perder de vista o fato de que metta é algo que já temos, mesmo que, muitas vezes, tenhamos perdido a conexão com ela na correria de nossas vidas. Mas nós já a temos, e precisamos primeiro nos reconectar com ela, para em seguida fortalecê-la por meio de nossa atenção.

Logo no início destes 100 dias, escrevi sobre algumas reflexões básicas para nos ajudar a nos reconectar com o nosso amor e bondade inerentes. Experimente estas dicas novamente como um exercício:

  • Você quer, em geral, ser feliz. Você não quer, em geral, sofrer. Permita que esta verdade penetre em sua mente e a deixe ressoar.
  • A felicidade é, muitas vezes, muito mais difícil de encontrar do que você imaginava que seria, e o sofrimento é algo que você experimenta com mais frequência do que gostaria. Permita que estas palavras também ressoem em sua mente. Tudo bem se for um pouco desconfortável: basta aceitar o desconforto.
  • Agora, após permitir que estes pensamentos penetrassem em sua mente e tendo percebido a veracidade deles em sua experiência, pergunte-se se há alguma parte de você que consiga reagir com apoio e simpatia consigo ao lidar com essa coisa difícil que é ser humano – ao cumprir esta tarefa que é viver, buscando a felicidade com esperança e sabendo que ela é elusiva, esperando e tentando evitar o sofrimento e descobrindo que ele surge com muita frequência.

Agora, aplique estas mesmas reflexões ao seu amigo:

  • Seu amigo quer ser feliz. Seu amigo não quer sofrer.
  • Para seu amigo, a felicidade é muitas vezes algo difícil de se encontrar, e o sofrimento é algo que ele experimenta com mais frequência do que gostaria. Permita tempo, mais uma vez, para que a veracidade destas reflexões penetrem, pois elas são verdadeiras para todos. Eu não acredito que haja alguém que olhe para a vida e diga: “sabe, está ótimo assim, mas prefiro ser um pouco menos feliz”.
  • E com a veracidade destas reflexões em mente, veja se há alguma parte de você preparada para torcer pelo seu amigo, desejando-lhe bem enquanto ele cumpre essa difícil tarefa de viver uma vida humana.

Não é complicado. Mas se o fizermos no início do segundo estágio da metta bhavana, a nossa prática de amor-bondade pode ser aplicada à vida, sem muito esforço. Metta – uma bondade básica que valoriza a felicidade dos outros – surge naturalmente a partir das reflexões acima. Metta está sempre ao alcance de uma reflexão.

Com metta (bondade),
Bodhipaksa

Acompanhe todas as traduções dessa série aqui.

Foto do destaque por obbino, intitulada “Eu e meus amigos” (CC BY-NC 2.0)
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Áudio

Toda verdade

Os The Darma Lóvers

Nem sempre é fácil de ouvir
Toda verdade que você tiver para dizer

Ela não tem dono nem partido
Mas quantas vezes é difícil de saber
O que foi revelado ou esquecido
O quanto dela estão tentando esconder

Todos querem usar o seu nome
Só que não querem que ela possa aparecer
Quem sabe dando um tempo ela some
E todos voltam para casa sem se comprometer

Apesar de todas tentativas
Vai vir o dia em que ela virá nos lembrar
Que a mentira até pode ser vendida
Mas a verdade essa ninguém pode comprar

Gosto de me encontrar com ela
Embora saiba que nem sempre é alegria
Saber o que se passa fora e dentro
Ouvir as vezes coisas que não gostaria

Nem sempre é fácil de ouvir
Toda verdade que você tiver para dizer

Mas sempre é bom de saber
Toda verdade que você tiver para dizer

Toda Verdade é faixa do CD “Espaço!” do Os The Darma Lóvers, dupla que faz música a partir da “colagem de meditação budista + rock´n roll + MPB + psicodelia + tropicalismo & poesia” e “temática que vai do amor à impermanência, da alegria à reflexão”.

Dia 6: Olhando com um olhar amoroso

Tradução da newsletter do sexto dia da campanha 100 Dias de Amor-Bondade, da Wildmind:

Vou compartilhar aqui uma maneira de se relacionar, que chamo de “olhar amoroso”. Se você participou do nosso desafio 28 dias de Meditação, será algo muito familiar. Peguei esta abordagem é emprestada de Jan Chozen Bays, que descreve a prática de “olhos amorosos” em Como Domar um Elefante. Neste livro, ela diz:

Sabemos usar olhos amorosos quando estamos nos apaixonando, quando vemos um bebezinho ou um animal fofinho. Por que não usar os olhos amorosos com mais frequência?

Então o que podemos fazer é nos lembrar, ou até mesmo apenas imaginar, a experiência de olhar com olhos amorosos. Podemos recordar ou imaginar que estamos olhando para um filho amado, um bem-querer, ou até mesmo um animal de estimação. Eu sempre me lembro de quando vejo os meus filhos dormindo. Acho que os sentimentos de carinho, apreço e aceitação são muito transferíveis, então uma vez que a gente tenha evocado um olhar amoroso dessa forma, podemos transferir os mesmos sentimentos ao olhar amorosamente para nós mesmos. Ao observar nosso corpo,  respiração, pensamentos, etc, podemos olhar para eles com olhos amorosos.

E uma vez que a gente o tenha evocado para nós mesmos, podemos então transferir o olhar amoroso para os outros: amigos, pessoas que não conhecemos, pessoas que estejam passando por dificuldades, animais, todos os seres…

Eu acho que esta é uma maneira muito rápida de ajudar a bondade a surgir.

E quando fazemos isso, tudo o que experimentamos parece tornar-se mais suave e mais leve. O mundo aparenta ser um lugar mais bonito, às vezes de tirar o fôlego. Mesmo as partes feias da vida parecem bonitas em sua feiúra. Podemos sentir que estamos apaixonados pela vida. E começamos a perceber que o mundo é a nossa experiência do mundo, o que não é separável de nós mesmos. E assim, quando mudamos, o mundo como percebemos também muda. O mundo de nossa experiência se torna mais amoroso, mais leve.

Há algo que Chozen diz sobre isso que sempre me deixa sentindo como se meu coração estivesse todo aberto:

Ver com olhos de amor não é uma experiência de via única, nem apenas uma experiência visual. Quando tocamos algo com olhos amorosos, levamos um certo calor do nosso lado, mas também podemos nos surpreender ao sentir o calor irradiando de volta para nós. Começamos a nos perguntar: será que tudo no mundo é feito de amor? E será que eu o estou bloqueando? [grifo nosso]

Experimente, tanto em sua prática de meditação quanto no seu cotidiano. Você pode começar agora mesmo, enquanto seus olhos passam pelas palavras na sua frente. Olhe com amor e, em seguida, leve esse olhar amoroso para a sua próxima atividade.

Com metta (bondade),
Bodhipaksa

Acompanhe todas as traduções dessa série aqui.

Imagem

Se a gente abre nossos corações…

meditação Pema Chödrön

Se a gente aprende a abrir nossos corações, todo mundo – até mesmo aquelas pessoas que nos levam à loucura – pode ser nosso professor (~Pema Chödrön)

Frase de Pema Chödrön, com ilustração de Mike Medaglia (©2014 Mike Medaglia).

Dia 4: Trazendo amor-bondade ao coração

Tradução da newsletter do quarto dia da campanha 100 Dias de Amor-Bondade:

Hoje, como parte dos 100 Dias de Amor-Bondade, vamos continuar focando na prática da auto-metta. Eu vou sugerir uma prática simples para ajudar a trazer uma atitude mais gentil a sua vida diária: simplesmente estar ciente de seu coração.

Eu não estou falando de perceber o coração batendo, mas em trazer a consciência para a parte central do seu peito e voltar ao local diversas vezes durante o dia.

Esta região do corpo é muito importante em termos de sentimentos, razão pela qual “emoção” e “coração” são praticamente sinônimos. E mais importante ainda, “amor” e “coração” também são praticamente sinônimos. O símbolo do coração – ❤ – significa  “amor”, antes de qualquer coisa.

Há uma razão para isso, um grande nervo chamado vago (ou pneumogástrico) que corre pelo centro do peito. O nervo vago é um importante componente do sistema nervoso parassimpático, responsável por trazer o corpo de volta à calma, descanso e equilíbrio. E o vago é muito importante para mediar sentimentos que podem ser associados ao amor e à compaixão. Quando ele é ativado, pode haver uma sensação de calor e de abertura ao redor do coração (pode haver amor e compaixão sem essas sensações, que são um bom bônus).

A psicóloga Barbara Fredrickson, da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, Estados Unidos, descobriu que praticar a meditação de amor-bondade durante apenas algumas semanas aumenta significativamente o chamado “tônus ​​vagal”, que é uma medida da atividade do nervo vago e um sinal de boa saúde vagal (análoga ao “tônus ​​muscular”).

O professor Stephen Porges, da Universidade de Illinois em Chicago, descreveu o nervo vago como o nervo da compaixão. E o Dr. Dacher Keltner, o autor do livro Born to Be Good (Nascido Para Ser Bondoso, em tradução livre) e co-diretor do Greater Good Science Center, aponta que crianças que apresentam um tônus ​​vagal mais forte são mais cooperativas e prestativas, e, por exemplo, intervêm ao ver outra criança sendo intimidada.

Basta chamar a atenção para a área do coração para ajudar a ativar o nervo vago. Então, tente o seguinte:

  • Conscientize-se da área do coração.
  • Observe quais emoções e sensações estão presentes – sem julgamento. Não importa o que está lá: esteja você se sentindo neutro ou mesmo se sentindo um lixo, é apenas o seu ponto de partida neste momento.
  • Deixe passar, da melhor forma possível, qualquer tensão na área, deixando uma sensação de suavidade emergir.
  • Envie pensamentos de bondade para esta parte do corpo, dizendo: “Que você esteja bem; que você seja feliz, que você fique à vontade”.
  • Repita estas frases várias vezes ao dia, sempre que fizer uma pausa, tiver um intervalo ou durante alguma tarefa rotineira, como dirigir ou tomar banho, quando a mente normalmente vagueia.

Deixe de lado qualquer anseio por resultados, o que muitas vezes é simplesmente  apego e pode envolver rejeição por sua experiência atual. Apenas permita que as coisas se desenrolem em seu próprio tempo.

Com metta (bondade),
Bodhipaksa

Acompanhe todas as traduções dessa série aqui.

Cem dias de amor-bondade

A comunidade de meditação budista Wildmind promove, a partir desta sexta 31 de janeiro, o evento online 100 Dias de Amor-Bondade, uma oportunidade de, ao longo de um período de pouco mais de três meses, trazer mais compaixão e bondade a nossas vida.

Conhecida em inglês como Loving-Kindness e em português como meditação de amor-bondade ou da compaixão, a  Mettã ou Metta Bhavana é uma das mais antigas formas de prática budista, transmitida em uma linha ininterrupta de mais de 2.500 anos. O objetivo é o desenvolvimento de sentimentos de amor incondicional, empatia, bondade e compaixão em relação a si mesmo, outras pessoas e, eventualmente, em relação a todas as formas de vida.

Uma pesquisa publicada em 2012 pela Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade demonstrou que prática dessa meditação “mostra-se como uma ferramenta útil e promissora como recurso complementar no tratamento de diversas doenças, tanto fisiológicas quanto psicológicas, demonstrando-se ainda como poderoso recurso auxiliar ao processo psicoterapêutico, trazendo inúmeros benefícios aos seus praticantes”.

Durante os 100 Dias de Amor-Bondade, aprenderemos a:

  • Apreciar que a bondade é algo inerente em nosso ser, e que só precisa ser alimentada
  • Ser gentil conosco
  • Ser menos irritadiço e mais paciente com os outros
  • Desenvolver aceitação em vez de fazer julgamentos
  • Desenvolver compaixão genuína
  • Evitar a “compaixão idiota” (onde negamos as nossas próprias necessidades para servir os outros )
  • Tornar-mos mais sensíveis e ver o melhor nos outros
  • Ganhar equilíbrio ao lidar com as dificuldades da vida

Ao se inscrever, você vai receber diariamente um lembrete para a prática, com links para meditações guiadas e outros recursos. Há também uma comunidade no Google Plus, onde os membros podem fazer perguntas, compartilhar a experiência e obter apoio e encorajamento. A participação em 100 dias de Bondade é aberta a todos e gratuita (doações são aceitas) – inscreva-se aqui.

Os comunicados serão em inglês. Com o intuito de ampliar a mensagem, vou me esforçar para traduzir parte do material e publicar aqui. Acompanhe!

Nota

Meditações de aniversário

Um email do Personare me alertou que, para a astrologia, o ‘ano novo’ de verdade começa no nosso aniversário, quando o sol volta ao ponto exato em que se encontrava no momento do nosso nascimento, simbolizando o início de um novo ano pessoal.

O dia do aniversário é então um bom momento para refletir sobre o caminho que trilhado nos últimos anos, e na minha opinião, um dia ótimo para meditar sobre o que queremos dos próximos 365 dias que temos pela frente (ou não!), e reverenciar a nossa alma, contemplando a experiência dela nos anos que passaram e parabenizando-a por tudo o que passou para chegar a mais esse aniversário.

Acordei inspirada a fazer algo especial na minha prática meditativa já que esse é o primeiro aniversário no qual meditação é parte do meu cotidiano. Encontrei uma meditação especial para o dia do aniversário, que traduzo a seguir, e pretendo adaptá-la e montar a minha própria meditação de aniversário – exatamente do jeito que minha alma gosta – em uma hora extra que quero tirar para sentar hoje a noite.

Do Open Source Meditation:

Prepare-se para meditar como de costume.
Reserve um momento para encontrar sua música favorita. Se puder, visite o seu lugar favorito na natureza. Esteja só com a sua alma.
Presenteie a sua alma com todo o conforto. Flores frescas, um bom incenso, acenda uma vela. Tudo o que você quiser e gostar. Tire um momento para se preparar com verdadeira reverência e amor.
Em seguida, feche os olhos. Sinta-se mergulhando cada vez mais fundo dentro do seu próprio coração. Sinta que essa meditação será o ponto de partida para experiência meditativa mais profunda e mais alta que você já teve.
Imagine a sua melhor experiência de meditação. Ponha-se nela.
Em seguida, mergulhe mais fundo. Há uma infinidade dentro de você. Sinta que quanto mais profundo e mais alto você mergulhar, mais esse amor infinito expande-se dentro de sua visão.
Quanto mais fundo mergulhar dentro de si mesmo, mais você se conectará ao mesmo infinito dentro de todas as outras pessoas. Quanto mais se conectar, mais você sentirá o poder de todos e de cada coisa.
Você está na fonte. Você está profundamente dentro de sua própria alma. A única alma que há.
Depois de algum tempo, relaxe um pouco. E então contemple sua visão mais elevada de si mesmo. O que você estaria fazendo a cada dia se estivesse vivendo totalmente a sua maior versão? Se não pudesse falhar.
Você estaria meditando mais ? Ajudando aos outros ? Amaria sua família e amigos de forma mais aberta e incondicional? Sem expectativas? Será que o seu trabalho seria mais alinhado com as coisas que você ama? Que você seria mais gentil com seu corpo? Comeria melhor? Faria mais exercício físico? Trataria melhor a sua mente? Leria mais? Faria as coisas mais inspiradas e criativas…
Tire um momento agora, ao final desta meditação, para dedicar-se novamente ao maior potencial de sua vida. Pelo resto do dia do seu aniversário, reserve tempo para visualizar o que o seu Eu Maior estaria fazendo. Faça tudo no decorrer do dia completamente alinhado com a visão mais elevada. Faça deste, o dia da sua alma, um dia em que você colocar uma bandeira no chão, dizendo que este é o começo do resto da sua vida, a sua vida mais elevada, a sua vida mais feliz, a sua vida mais repleta de amor.