Eu

A primeira vez que lembro – conscientemente – de ter ouvido falar em meditação como uma ferramenta ao alcance de todos foi em 2008, quando uma amiga querida me contou que estava começando a meditar. Eu nem prestei muita atenção na época, mas dois anos depois, quando eu andava com depressão e insônia, vivendo à base de prozac, ela voltou a falar sobre meditação, dizendo que meditar era um santo remédio. Dessa vez, eu ouvi.

Na altura dos meus 35 anos e começando a me interessar mais por espiritualidade, achei a ideia ótima, e pensei: “tá, eu topo tentar… mas como é mesmo que se faz isso?”. Comecei a ouvir o zencast e depois disso passei a ser uma daquelas pessoas que dizem: “eu queria meditar, mas não consigo!”, ou “se eu tivesse tempo, aprenderia a meditar!”.  Quando tinha tempo, dizia: “estou velha para aprender”, ou ainda: “acho meditar tão bonito, pena que não é para mim!”. Creio que já havia ali uma semente.

Um belo dia em 2011, durante um curso sobre psicologia e espiritualidade, quando fui apresentada aos benefícios científicos da meditação, me dei conta que nunca teria tempo: se eu quisesse, eu teria que “agendar tempo” para meditar. E também percebi que “eu não conseguia” porque, para aprender, é preciso prática: a prática leva à perfeição, seja no esporte ou na meditação. O próximo passo foi decidir: vou meditar. Foi o primeiro passo de muitos.

E comecei aos pouquinhos, estudando por conta própria, fazendo cursos, ouvindo palestras presenciais e na rede, experimentando vários métodos, às vezes bem disciplinada, outras totalmente displicente, mas cada vez melhor. O prozac caiu em desuso, mudei minha vida, arrumei tempo para mim, voltei a estudar para uma nova carreira, comecei a fazer terapia, fui chegando a cada passo mais perto de quem sou. A meditação esteve sempre presente, me dando chão nessa fase.

Quando percebi, mesmo praticando com tanta irregularidade, já havia alcançado um nível de paz interior que fortaleceu a minha vontade de adotar a meditação em meu cotidiano. Acabei o ano de 2013 e comecei 2014 em um retiro de dez dias em silêncio, meditando 10 horas por dia, em um curso de Vipassana. Já havia começado a frequentar um grupo semanal de Kriya Yoga. Minha mente, antes um cavalo selvagem e sem rumo, hoje parece ainda um animal xucro, porém um pouco mais dócil e obediente.

E enquanto virava o ano meditando, lembrei que tinha fama de zen na universidade e meu único gol para 2014 foi retomá-la, adotando uma rotina séria para meditar diariamente, sentando pelo menos 1h por dia, com vários momentos de contemplação entre uma coisa e outra. Coloco o despertador para as 7h e começo o dia. Estou conseguindo. Está sendo ótimo. E quis criar esse blog para inspirar mais pessoas – se eu consigo, tenha certeza que você também consegue. Todo mundo pode meditar!

Paula
11 de janeiro de 2014