O que não é Meditação

Quando se pensa em meditação, a imagem que vem a mente é invariavelmente a de uma pessoa sentada de pernas cruzadas (de preferência na chamada postura de lotus), com um gesto curioso nas mãos, de olhos fechados e mente vazia, possivelmente ao som de um mantra, com uma expressão serena inabalável. Esse é o estereótipo clássico, porém certamente muito longe da realidade, e não apenas da realidade de iniciantes!

Quando uma pessoa começa a meditar, até mesmo conseguir sentar-se por um período determinado de tempo sem se mexer é uma grande dificuldade, e mesmo meditadores experientes, que por fora consigam emular uma imagem que evoca paz e serenidade, por dentro muitas vezes enfrentam um turbilhão de emoções, sensações e pensamentos – tudo junto e misturado. Simplesmente, por ser a função do corpo sentir e a função da mente pensar, eles não param. E sensações e pensamentos, por sua vez, afetam as emoções e vice-versa, como um tripé.

Muita gente, entretanto, desiste de meditar por causa de muitos mal-entendidos sobre o que é meditação e, consequentemente, sobre o que uma pessoa deve sentir ou deixar de sentir enquanto medita. Elas tentam algumas vezes mas não levam a prática adiante por acharem que não conseguem “meditar direito”, e e acabam por deixar para lá sentindo-se frustradas na melhor das hipóteses, e uma falha total na pior delas. Boa parte da confusão surge da forma como confundimos técnicas com metas – quando na verdade não há metas, e sim uma aceitação total do que está acontecendo no momento.

Nessa série, acrescentarei, ao longo do tempo, uma lista de concepções equivocadas sobre o que é meditação, com a ajuda de especialistas e apoiada em minha própria experiência de iniciante. Mas não tome nossas palavras como regra: como aconselhou o próprio Buda, coloque tudo em prática e experimente por conta própria. É a sua experiência de meditação que é válida!

Equívoco 1: “Meditação é parar de pensar”