O que é Meditação?

Para alguns, a meditação é uma oração silenciosa; para outros, um canal de conexão com a própria voz interior, ou ainda de sintonia com o mais alto. No mundo atual, é vista quase como terapia, tanto para alcançar o auto-conhecimento quanto o bem-estar. Situada entre a contemplação e a concentração, a meditação é tudo isso, e mais: uma prática milenar, possivelmente tão antiga quanto a própria humanidade.

Embora seja vulgarmente associada a religiões orientais, as origens da meditação não são encontradas em uma região ou povo específicos, tendo a prática se desenvolvido em várias culturas e civilizações diferentes, sob diversos nomes e com objetivos variados. Em virtude disso, a palavra meditação evoca diferentes significados em contextos diferentes.

Em sânscrito, meditação é chamada dhyana, e é obtida pelas técnicas de dharana (concentração). No chinês chama-se Ch’anna, que sofre uma contração tornando-se Ch’an e Zen em japonês. Em páli é Jhana, que significa concentrar intensamente o espirito em algo. Nāgâ, ou הגה‎ em hebreu, significa sussurrar, murmurar e meditar.

Em português, a palavra meditação vem do latim meditatio, por sua vez do verbo meditare, que significa pensar, contemplar, projetar, ponderar. Comum entre todos os termos, meditar evoca voltar-se para o centro, desligar-se do mundo exterior e centrar a atenção dentro de si. Segundo o Dicionário Aulete, a meditação é:

      1. Ação ou resultado de meditar, de refletir em profundidade sobre um assunto; REFLEXÃO
      2. Rel. Processo e circunstância de (alguém) se concentrar espiritualmente para desligar-se gradualmente das preocupações do mundo material

A meditação é componente de várias religiões (monoteístas, deístas ou não), sendo praticada no Budismo, no Hinduísmo, no Jainismo, no Siquismo, no Islã, no Sufismo, no Taoismo, na Fé Bahá’í e em outras tradições, tais como na Cabala do Judaísmo e no Hesicasmo, ou oração solitária do Cristianismo. A prática se popularizou também com as várias correntes do movimento da Nova Era e crenças espiritualistas diversas.

Fora das tradições religiosas, a meditação vem sendo adotada ainda, e cada vez mais, em um movimento secular, por produzir estados alterados de consciência que trazem benefícios para a saúde. Nesse contexto não religioso, a meditação vem se popularizando desde 1960, em virtude de pesquisas acadêmicas e descobertas científicas que atestam os benefícios da prática para a saúde física e mental.

Milhares de pesquisas publicadas em todo o mundo ligam as várias práticas de meditação a mudanças no metabolismo, na pressão sanguínea e em outros processos biológicos. Essas pesquisas apontam que a prática constante da meditação leva ao relaxamento, ao aumento da calma, à redução do estresse e da dor. Outros pontos positivos incluem a melhoria da concentração, da consciência, da auto-disciplina, da criatividade e da equanimidade.

A estrutura do cérebro humano pode ser moldada com a meditação, que é capaz de aumentar, inclusive, o índice de massa cinzenta. Os benefícios físicos demonstrados cientificamente incluem ainda um aumento na capacidade de cura e auto-cura do corpo, e, mentalmente, um aumento da tendência de fugir de estados de depressão e ansiedade, substituindo-os pela busca da felicidade, serenidade e pelo equilíbrio emocional.

Nos últimos 20 anos, programas para desenvolver a atenção plena – mindfulness – vêm se mostrando cada vez mais importantes para as comunidades médicas e psicológicas internacionais, destacando-se como meios relativamente fáceis, simples, baratos e eficientes de ajudar as pessoas na melhoria da qualidade de vida, estejam elas clinicamente doentes ou saudáveis.

Dentre os métodos propostos para uso no tempo reservado especificamente para a meditação estão técnicas corporais de varredura mental, permitindo que pensamentos surjam e passem, e ainda durante atividades diárias, tais como procurar estar ciente dos atos mínimos, do caminhar ao respirar. Em poucas palavras, meditar é desligar o piloto automático com o qual dirigimos nossas vidas e começar a agir mais conscientemente a cada momento, de forma a tudo fazer com percepção do que estamos fazendo. O objetivo é reduzir a velocidade dos pensamentos, alcançando um silêncio mental em que o momento presente é vivenciado.

Como não poderia deixar de ser, a meditação é uma ferramenta muito útil para o processo de auto-conhecimento, por nos permitir ouvir a nossa voz interior ao silenciar o barulho mental. A prática prolongada leva a mente ao hábito de concentrar-se no agora, ao invés de “viver” com foco no passado (memórias, lembranças) ou no futuro (expectativas, antecipações). Vivendo em um estado mais meditativo e com mais sapiência de nós mesmos, conscientes do que fazemos no agora, agimos melhor.

Muitas pessoas acreditam que não são capazes de meditar por não conseguirem “controlar seus pensamentos” nem se concentrarem em algo por muito tempo*. E realmente, num primeiro momento, meditar é difícil, exigindo muita vontade e persistência. Não é, contudo, impossível e todos têm a capacidade de meditar.

A meditação é um hábito de disciplina mental, e como todos os hábitos conscientes ou insconscientes que cultivamos em nossas vidas, o hábito de meditar exige prática e tempo para se estabelecer. A dica é começar aos poucos, com nano-meditações de 1 minuto de concentração na respiração, e aos poucos aumentar o tempo e variar as técnicas. A prática faz o monge – literalmente!

Pense na meditação como na arte de tocar instrumentos musicais, ou na habilidade de fazer esportes: é a prática que leva à perfeição. Nem todos serão artistas espetaculares ou atletas olímpicos, mas com um mínimo de dedicação, todos podem aprender a tirar um som de um instrumento ou desenvolver o fôlego e preparo físico para correr. Da mesma forma, nem todos alcançarão “nirvana” com a meditação, mas todos podem cultivá-la como um hábito saudável e alcançar o bem estar físico, mental e espiritual.

Basta começar, e é possível dar o primeiro passo a qualquer momento. Agora é uma boa hora.

Fontes:

Meditação muda estrutura do cérebro, diz estudo – Folha.com, Coluna Equilíbro e Saúde, em 30/01/2011
Meditação na Wikipedia [pt] e [en]
* Experiência pessoal!

(texto base escrito por mim em 13 de abril de 2012, republicado hoje com pequenas edições)