Citação

A meditação acontece

A meditação é um acontecimento, esse é o primeiro ponto. O segundo é, a meditação não exige esforço. A chave para a meditação é a não exigência de esforço. Não é fazer alguma coisa, mas não fazer nada, que é meditação. E criar uma condição onde você possa realmente não fazer nada é tudo o que é importante para examinar.

~Sri Sri Ravi Shankar

Veja mais sobre os muitos métodos e maneira como meditação acontece, segundo o líder espiritual indiano, no site da Arte de Viver Brasil

Hoje: Meditação da Lua Cheia

Promoção: Arte de Viver

Promoção: Arte de Viver

Acontece hoje, em vários pontos do Brasil, a Meditação da Lua Cheia, promovida pela Arte de Viver.

As meditações coletivas têm um efeito potencializado. Iniciativas como esta contribuem para a maior conscientização com relação à meditação e possibilitam que este conhecimento seja acessado por mais pessoas. Além do que, a meditação tem um efeito muito positivo no ambiente.

Veja os locais de realização em cada cidade.

Dia 14: Você não está sozinho

Tradução do boletim de hoje da campanha 100 Dias de Amor-Bondade, da Wildmind. Amanhã, e aliás, até segunda, não sei se terei tempo de traduzir :(

Uma das razões mais comuns pelas quais temos dificuldade na auto-metta é que imaginamos que nossas dificuldades e contratempos nos diferenciam de outras pessoas. Sendo assim, quando enfrentamos dificuldades com algo que é importante para nós, nos sentimos isolados e sozinhos. A gente supõe que tal coisa, seja ela o que for, é fácil para os outros e difícil para a gente. Que a gente foi amaldiçoado com alguma deficiência. Que, de alguma forma, somos piores que os outros. E ao nos julgar dessa forma, a gente então se inunda com auto-criticismo e se sente desanimado por causa daquilo que percebemos como uma falha nossa.

O budismo tem um nome para isso: prepotência. Talvez você se surpreenda com isso, uma vez que a gente normalmente considera prepotência quando nós achamos superiores aos outros. Mas a partir de um ponto de vista budista, toda a comparação com o valor de outra pessoa é uma forma de prepotência, esteja a gente se sentindo superior, inferior ou mesmo igual ao outro.

Eu gostaria de fazer três sugestões sobre como tratar do complexo de inferioridade – esta tendência a criar um sentido da isolamento.

1 – Trate seus sentimentos dolorosos com compaixão
É OK sentir desapontamento ou frustração quando as coisas não saem da maneira que a gente quer. Em termos budistas, estes são sentimentos e não emoções. E, ao contrário de emoções, os sentimentos estão fora de nosso controle direto. Os sentimentos são neutros eticamente. O problema é que a gente frequentemente pensa que há algo errado conosco quando experimentamos este tipo de desconforto, como se estivéssemos fazendo algo errado ao nos sentir frustrados ou decepcionados, ou tomamos isso como um sinal de que falhamos. Mas não estamos errados, nunca estivemos. A primeira coisa é aceitar estes sentimentos dolorosos, para depois reconhecer que são uma forma de sofrimento, e responder, em terceiro lugar, ao nosso sofrimento de uma maneira compassiva. Trate a sua dor como se fosse uma outra pessoa sofrendo, e emita pensamentos de amor e bondade: “Que você esteja bem; que você seja feliz; que você encontre a paz.”

2 – Preste atenção a seus pensamentos com ceticismo
Há um provérbio que nos diz para não acreditar em tudo o que a gente pensa. O que é especialmente verdadeiro quando nós estamos passando por dificuldades. Nossos pensamentos podem nos contar histórias como: “eu falhei. Sou imprestável. Não consigo fazer isso. Não dá para aguentar.” E assim por diante. É muito importante afastar-se um pouco destes pensamentos e reconhecer que são histórias, e não a realidade. Você pode observar os pensamentos, sem acreditar nas histórias que estão contando. Outro dia, eu observei pensamentos conectados com a solidão que começava a borbulhar em minha mente. Em vez de transformá-los em um drama, deixei apenas que os pensamentos passassem. E então prestei atenção com compaixão à solidão que eu experimentava.

3 – Considere: Você não está sozinho
Todos nós cometemos erros; todos temos pontos fortes e fracos; a confusão é uma parte integral da aprendizagem: lembrar disso ajuda a gente a se sentir menos sozinhos, e a reconhecer que a frustração faz parte da vida de todos. O pensamento de que somos piores do que os outros é apenas uma dentre muitas histórias que podemos tratar com ceticismo. É uma das mais perniciosas, porém, e por isso eu a escolhi para dar esse tratamento especial. E a prática de considerar que não estamos sozinhos é também uma ilustração que não basta deixar passar nossos pensamentos inúteis: podemos também conscientemente cultivar pensamentos, como “todos cometem erros”, que permitem que estejamos mais em paz.

Na semana passada cometi uma série de erros bem públicos. Primeiro, enviei um email para milhares de pessoas para a lista errada. Depois eu enviei o email outra vez, para a lista certa, mas com um link quebrado. Finalmente, acertei. Houve uma época em que eu agonizaria depois de cometer um erro assim, publicamente, mas agora apenas vejo isso como algo que acontece. Nós todos cometemos erros.

Estas três práticas podem ajudar a nos liberar da carga adicional de sofrimento que a gente impõem a nós mesmos quando tomamos uma frustração ordinária e a transformamos em algo muito mais doloroso. Elas permitem que a gente deixe sentimentos difíceis surgir e passar, nos deixando mais leves e mais livres.

Com metta (bondade),

Bodhipaksa

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Dia 13: Metta do Anjo da Guarda

Tradução do boletim de hoje da campanha 100 Dias de Amor-Bondade, da Wildmind:

Sabe quando estamos sentados no metrô e tem alguém sentado bem na nossa frente? É meio estranho tentar não fazer contato visual, e tem aqueles momentos desconcertantes em que somos flagrados olhando para a pessoa…

Às vezes, pode acontecer algo estranho assim durante a prática da meditação de metta bhavana. Não é tão ruim assim com um amigo, pois estamos acostumados a olhar nos olhos dele, mas mesmo assim pode ser um pouco estranho mentalmente “sentar-se de frente” a ele por dez minutos mais ou menos. É meio formal e artificial, não é?

Há algum tempo, eu tenho praticado amor-bondade de uma maneira diferente. Primeiro, eu não imagino que a outra pessoa esteja estática em minha frente, mas lidando com seus afazeres cotidianos. Posso visualizar meu amigo trabalhando em seu computador, ou tocando piano, ou fazendo algo no jardim. Para a “pessoa neutra”, vejo alguém trabalhando no balcão dos correios, ou em qualquer coisa que eu imagine que esteja fazendo. A propósito, não é que eu tenha um filme rodando. É mais como uma série de imagens fragmentadas. Parecem o suficiente.

Este é portanto o primeiro passo.

No segundo passo, eu me imagino estando com a outra pessoa, mas invisível para ela. Eu sou o anjo da guarda da pessoa, desejando que ela esteja bem.

Eu imagino, às vezes, que estou colocando minha mão nela, com um toque carinhoso, e emitindo meu amor ao seu corpo enquanto digo “que você esteja bem; que você seja feliz; que você esteja em paz”. Às vezes, imagino uma luz fluindo do meu corpo ao dela, enquanto repito as frases. Às vezes, apenas vejo a pessoa “em sua lida” e repito as frases.

Geralmente, estou sorrindo.

Acho que tirei a ideia de um filme de Wim Wenders, Asas do Desejo (Himmel Über Berlim), onde anjos patrulham invisivelmente a cidade de Berlim, tocando as pessoas e sentindo a dor delas, embora no filme seja um pouco deprimente, sem dar a impressão de que chegam a aliviar algum sofrimento.

Mas gosto da ideia. Estamos todos acostumados com a ideia de anjos da guarda, mas pensamos geralmente em termos de ter um. Acho que é ainda mais carinhoso pensar em nos tonarmos um.

Com metta (bondade),

Bodhipaksa

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Citação

Conselhos de um meditator experiente

Somos inundados por terapias, livros de auto-ajuda e técnicas – o que o músico e ativista Bob Geldof chamou de “a próspera economia dos psicoterapeutas, religiões da moda e boutiques espirituais – que tratam de nossas vidas como projetos a serem refinados e fixos. Não seria a meditação (se é que é alguma coisa) um alívio disso tudo? Não seria o oposto de reparar, ajustar, esforçar-se e perpetuamente querer que as coisas fossem diferentes?

– Barry Evans, em “The Myth of the Experienced Meditator” [O Mito do Meditador Experiente, em tradução livre]. Fonte: newsletter de hoje da Tricycle.

Dia 12: Seres sentimentais

Peço desculpas pela demora na tradução do boletim de hoje da campanha 100 Dias de Amor-Bondade, da Wildmind. A seguir:

Por muito tempo, quando estava crescendo, eu parecia estar completamente inconsciente de duas coisas. Primeiramente, que outros seres têm sentimentos. E segundo, que os sentimentos dos outros são tão importantes para eles quanto os meus o são para mim.

Pode parecer tão óbvio que você se pergunta como foi possível negligenciar estes pontos, ou até como podem ser tema de uma revelação. Mas, ao que parece, todos nós temos problemas em reconhecer estes fatos simples. Nenhum de nós gosta de se sentir machucado, entretanto frequentemente fazemos coisas que ferem os sentimentos das pessoas, seja por meio de nossas expressões faciais, nossas palavras ou gestos.

Se a gente conseguisse manter em vista que os outros querem ser felizes e não querem sofrer, a maioria de nós comportar-se-ia completamente diferentemente. Quando a gente valoriza e honra os sentimentos dos outros tanto quanto os nossos, ferir outra pessoa é ferir a nós mesmos.

Há um outro aspecto importante nisso tudo, que é o fato de que também temos que cuidar de nossos próprios sentimentos. Se você foi criado em um ambiente emocionalmente hostil – talvez com muito criticismo ou sarcasmo – pode ser que tenha se acostumado a se sentir machucado e infeliz, ao ponto de ter esquecido de que há uma alternativa. Você se acostumou tanto a descontar a sua própria dor que você nem pensa em levar em consideração os sentimentos de outras pessoas. Pode ser que seja necessário trabalhar para reconhecer os seus próprios sentimentos e aprender novamente que você prefere a felicidade em vez da infelicidade, antes que você possa desenvolver empatia para com os outros.

Eu sugiro, porém, que você tenha em mente este pensamento no seu cotidiano. Quando estiver conversando com uma pessoa, ou se estiver pensando em alguém enquanto dirige, ou anda, ou faz compras, lembre-se: trata-se de um ser sentimental. Os sentimentos dele são tão importantes para ele quanto os meus são para mim. Quer ser feliz e não quer sofrer.

Experimente e veja como o seu comportamento muda, e como muda a maneira como você se sente.

Com metta (bondade),

Bodhipaksa

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Mais mindfulness, menos meditação

Artigo de Tony Schwartz, postado originalmente no The New York Times DealBook em 31 de janeiro de 2014, com tradução (não autorizada) minha. Sobre o autor: Tony Schwartz é presidente-executivo do Energy Project e autor do livro Envolvimento Total: Gerenciando Energia e Não o Tempo.

Eis a promessa: Meditação – e em particular meditação mindfulness (atenção plena) – reduzirá o seu nível de cortisol, pressão arterial, ansiedade social e depressão. Vai aumentar a resposta de seu sistema imunológico, resistência e foco, e melhorará seus relacionamentos – inclusive consigo mesmo. Também reforçará o seu desempenho no trabalho e proporcionará a paz interior. Pode até mesmo curar a psoríase.

O rapper 50 Cent medita, assim como Lena Dunham e Alanis Morissette. Steven P. Jobs meditava e a prática de mindfulness está varrendo o Vale do Silício. De sábado a oito, 2 mil executivos de tecnologia e outros candidatos participarão da Wisdom 2.0, uma conferência esgotada que tornou-se repentinamente um evento imperdível para os entendidos. Até mesmo Rupert Murdoch tentou meditar, resumindo sua tentativa em um tweet a la haikai: “Todo mundo recomenda, não é fácil começar, mas dizem que melhora tudo”.

É mesmo? Pelo que vale, não concordo.

Eu aprendi a meditar há 25 anos, construí uma prática diária de atenção plena e passei centenas de horas sentado com os olhos fechados e as pernas cruzadas. Também entrevistei dezenas de praticantes de meditação, incluindo os professores mais proeminentes, para um livro que escrevi em 1995 chamado “What Really Matters: Searching for Wisdom in America” [O que realmente importa: A procura pela sabedoria na América do Norte, em tradução livre].

Mas quanto mais tempo eu passava meditando, menos valor que eu tirava da prática. O que não quer dizer que eu ache que não traga nenhum benefício.

A definição mais simples de meditação é aprender a fazer uma coisa de cada vez. Construir a capacidade de acalmar a mente tem inegável valor em tempos em que nossa atenção encontra-se sob cerco fechado, e a distração se tornou nosso estado estacionário. A meditação – em dose correta – também é importante como uma forma de relaxar o corpo, acalmar as emoções e refrescar a energia da pessoa. Há evidências cada vez maiores de que a meditação traz alguns benefícios para a saúde.

Eu não vejo muitas evidências, entretanto, de que a meditação leva as pessoas a se comportarem melhor, melhora seus relacionamentos ou as torna mais felizes.

Considere o que Jack Kornfield tem a dizer sobre a meditação. Na década de 70, depois de passar vários anos como um monge no Sudeste da Ásia, Kornfield foi um dos primeiros norte-americanos a levar a prática da atenção plena para o Ocidente. Ele continua sendo um dos professores de mindfulness mais conhecidos, além de trabalhar como psicólogo.

“Enquanto eu me beneficiei enormemente da formação nos mosteiros tailandeses e birmaneses onde pratiquei”, escreveu ele, “notei duas coisas marcantes. Primeiro, havia áreas principais de dificuldades na minha vida, como solidão, relacionamentos íntimos, trabalho, feridas da infância e padrões de medo que nem mesmo a meditação muito profunda tocou”.

“Em segundo lugar, dentre as várias dezenas de monges ocidentais (e muitos meditadores asiáticos) que conheci durante minha temporada na Ásia, com algumas exceções notáveis, a maioria não foi ajudada pela meditação em grandes áreas de suas vidas. Meditação e prática espiritual podem ser facilmente usadas para suprimir e evitar sentimentos ou para escapar de áreas difíceis de nossas vidas”.

Então, como usar a meditação para tirar melhor proveito?

Em primeiro lugar, não espere mais do que ela pode fazer.

No mundo moderno, a meditação é muito mais eficaz como uma técnica de auto-gestão, e não como um meio de transformação pessoal nem muito menos para a iluminação.

Em segundo lugar, comece com simplicidade.

Mindfulness – ou “vipassana” – é um tipo específico de prática meditativa do budismo Theravada. Trata-se de aprender a observar os pensamentos, sentimentos e sensações que podem surgir e passar, sem prender-se a eles. Ao construir a capacidade de testemunhar a própria experiência, sem apego ou reação, segundo o ensinamento, a pessoa lentamente começa a ver além da ilusão de permanência e separação.

O problema com a atenção plena como um ponto de partida é que trata-se de uma prática avançada. No ensino tradicional, os alunos aprendem primeiro a estabilizar a atenção através de “samatha”, ou meditação de concentração. A concentração envolve o foco em um único objeto de atenção, tal como a respiração ou mantra, como na meditação transcendental. Somente quando os alunos aprendem a acalmar a mente de forma confiável – um processo que muitas vezes leva anos – é que a prática mais sutil e avançada de vipassana é introduzida.

Na minha experiência, a meditação de concentração é uma forma mais simples e mais confiável do que a atenção plena para ajudar no controle de sua atenção, calma e relaxamento – especialmente para aqueles que estão nos estágios iniciais da prática.

Finalmente, não presuma que mais é melhor.

“A prática de mindfulness tem seus benefícios”, afirmou Catherine Ingram, autora do livro Passionate Presence [Presença Passional, em tradução livre], “mas no meu caso, após 17 anos de prática, cheguei a um ponto em que observar mentalmente minha respiração, pensamentos e sensações se tornou cansativo, uma sensação de sempre ter dever de casa e de constantemente picar a realidade em pedacinhos”.

Até mesmo alguns minutos sentando-se calmamente e seguindo a respiração ajuda bastante. Eu considero especialmente eficaz inspirar a uma contagem de três e expirar a uma contagem de seis – efetivamente estendendo a expiração e aprofundando a experiência de relaxamento. A contagem é também um objeto eficaz de atenção, e, em função disso, aumenta a concentração.

Eu também descobri que é realmente mais prático se concentrar e relaxar por um minuto ou dois várias vezes por dia do que meditar por um longo período e em constante batalha contra a distração ao longo do caminho.

Há uma diferença entre a meditação mindfulness e simples mindfulness. Esta última não é uma prática separada da vida cotidiana. Mindfulness significa simplesmente nos tornar mais consciente do que estamos sentindo, trazer mais intenção para nossos comportamentos e estar mais atentos ao nosso impacto sobre os outros. Tem a ver com presença – o que a Ingram chama de “se manter silencioso e simples por dentro, em vez de desempenhar qualquer tarefa mental que seja”.

O verdadeiro desafio não é o que somos capazes de fazer com nossos olhos fechados. É ser mais auto-conscientes no cadinho da nossas vidas cotidianas, e nos comportarmos melhor como resultado. Isso é mindfulness em ação.

Foto do destaque: ConnectIrmeli (CC BY-NC-ND 2.0)

amigos de verdade

Dia 10: Amor e bondade naturais

Chegamos ao décido dia da campanha 100 Dias de Amor-Bondade, da Wildmind – o que quer dizer já andamos 10% do caminho (embora a aspiração maior é prática permanente e natural desse amor incondicional por nós mesmos e pelos outros!). Veja aqui a tradução da newsletter de hoje:

As pessoas geralmente acham que praticar amor-bondade é algo difícil. Gostaria de salientar a naturalidade da metta, e como ela surge sem esforço a partir de certas reflexões. Não quero dizer que é fácil viver “mettamente” o tempo todo. Mas amor-bondade não é algo pelo qual temos que lutar.

Para começar com o cultivo de amor-bondade por um amigo, vamos observar que o amigo é alguém por quem já a gente tem metta. Uma das palavras em pali para amigo é “mitta” – podemos notar a semelhança óbvia entre as palavras metta e mitta. Um amigo é alguém cujo bem-estar importa para nós. Quando nossos amigos estão infelizes, ficamos incomodados; quando eles estão felizes, ficamos contentes.

Metta tem essa mesma simplicidade. É fácil perder de vista o fato de que metta é algo que já temos, mesmo que, muitas vezes, tenhamos perdido a conexão com ela na correria de nossas vidas. Mas nós já a temos, e precisamos primeiro nos reconectar com ela, para em seguida fortalecê-la por meio de nossa atenção.

Logo no início destes 100 dias, escrevi sobre algumas reflexões básicas para nos ajudar a nos reconectar com o nosso amor e bondade inerentes. Experimente estas dicas novamente como um exercício:

  • Você quer, em geral, ser feliz. Você não quer, em geral, sofrer. Permita que esta verdade penetre em sua mente e a deixe ressoar.
  • A felicidade é, muitas vezes, muito mais difícil de encontrar do que você imaginava que seria, e o sofrimento é algo que você experimenta com mais frequência do que gostaria. Permita que estas palavras também ressoem em sua mente. Tudo bem se for um pouco desconfortável: basta aceitar o desconforto.
  • Agora, após permitir que estes pensamentos penetrassem em sua mente e tendo percebido a veracidade deles em sua experiência, pergunte-se se há alguma parte de você que consiga reagir com apoio e simpatia consigo ao lidar com essa coisa difícil que é ser humano – ao cumprir esta tarefa que é viver, buscando a felicidade com esperança e sabendo que ela é elusiva, esperando e tentando evitar o sofrimento e descobrindo que ele surge com muita frequência.

Agora, aplique estas mesmas reflexões ao seu amigo:

  • Seu amigo quer ser feliz. Seu amigo não quer sofrer.
  • Para seu amigo, a felicidade é muitas vezes algo difícil de se encontrar, e o sofrimento é algo que ele experimenta com mais frequência do que gostaria. Permita tempo, mais uma vez, para que a veracidade destas reflexões penetrem, pois elas são verdadeiras para todos. Eu não acredito que haja alguém que olhe para a vida e diga: “sabe, está ótimo assim, mas prefiro ser um pouco menos feliz”.
  • E com a veracidade destas reflexões em mente, veja se há alguma parte de você preparada para torcer pelo seu amigo, desejando-lhe bem enquanto ele cumpre essa difícil tarefa de viver uma vida humana.

Não é complicado. Mas se o fizermos no início do segundo estágio da metta bhavana, a nossa prática de amor-bondade pode ser aplicada à vida, sem muito esforço. Metta – uma bondade básica que valoriza a felicidade dos outros – surge naturalmente a partir das reflexões acima. Metta está sempre ao alcance de uma reflexão.

Com metta (bondade),
Bodhipaksa

Acompanhe todas as traduções dessa série aqui.

Foto do destaque por obbino, intitulada “Eu e meus amigos” (CC BY-NC 2.0)
Jota de Copas

Dia 9: O que significa desejar que alguém seja feliz?

Bom fim de semana para todos! Eis a newsletter deste sábado, nono dia da campanha 100 Dias de Amor-Bondade, da Wildmind:

Ontem, discuti o que significa dizer “Que você esteja bem”, e como não se trata de simplesmente desejar saúde física. Hoje, gostaria de falar sobre o que significa dizer “Que você seja feliz” e, novamente, não é algo tão simples quanto parece.

Uma pergunta comum é por que devemos cultivar metta por pessoas que causam problemas para aqueles ao nosso redor, ou infligem dor aos outros. Naturalmente, não queremos que elas continuem espalhando destruição, mas queremos ser felizes mesmo quando elas o fizerem.

De um ponto de vista budista, a verdadeira felicidade não é algo que se pode colar em uma existência vivida de forma profundamente inabilidosa. A verdadeira felicidade é, na verdade, resultado de uma vida vivida com habilidade, e sendo assim, ao desejar que uma pessoa difícil seja feliz, estamos desejando que ela seja uma pessoa consciente e que crie felicidade. A psicologia ocidental diz a mesma coisa. Psicólogos descobriram que dentre as características de pessoas felizes estão andar rodeadas de amigos e parentes, não tentar se comparar aos vizinhos, perdoar facilmente, mostrar gratidão em abundância e ter generosidade para com os outros.

É provável que seu chefe – ​​materialista, obcecado por status e mal-humorado – não tenha muitos destes traços de caráter. Agora, é possível também que alguém tenha todas as qualidades hábeis mencionadas acima, e muitas outras, e ainda assim faça coisas que prejudiquem os outros. Algumas pessoas que normalmente são boas têm falhas profundas. Mas estas falhas são inevitavelmente uma fonte de conflito interno e sofrimento para elas, por isso, ao desejar que sejam felizes, desejamos que elas estejam livres das falhas que causam sofrimento a elas (e a outros).

Quando desejamos felicidade a alguém, estamos desejando que a pessoa se torne um ser humano empático, eticamente responsável e consciente. E, na verdade, isso é uma coisa difícil de se desejar a qualquer um. Quando deixamos de agir de forma inabilidosa e nos tornamos mais conscientes e amorosos, começamos a olhar para as nossas vidas e temos que aceitar a responsabilidade pelo mal que fizemos, ou que estamos fazendo. E isso é uma coisa muito dolorosa de se fazer. Lembro-me das palavras de Rilke: “Pois nela não há lugar / Que não te mire: precisas mudar de vida”. O auto-conhecimento torna-se o ponto a partir do qual somos vistos, e quando nos tornamos conscientes de nossas falhas, uma certa quantidade de tensão se desenvolve, até que, em algum momento, somos confrontados com a escolha entre continuar sofrendo com tal tensão ou mudar as nossas vidas – às vezes dolorosamente.

Muitos de nós passamos por isso quando começar a praticar meditação e budismo. É como se a vida de repente se tornasse mais complexa. Em vez de nosso problema ser o fato de termos um chefe detestável, agora é o fato de que (1) nosso chefe se comporta de uma maneira que não gostamos, e (2) precisamos gerenciar nossas próprias reações de forma ética. Em vez de um problema, agora temos dois!

Não estou sugerindo que a gente deseje dor a ninguém. Estou apenas lembrando que desejar a verdadeira felicidade a alguém não é esperar de que a pessoa ganhe um passe livre que lhe absolva do mal que causou. É desejar que a pessoa seja vista por sua própria consciência, e que faça o trabalho duro que esta “visão” exige.

Com metta (bondade),
Bodhipaksa

[Nota da tradução: o poema O torso arcaico de Apolo de Rainer Maria Rilke mencionado neste boletim foi traduzido em português por Paulo Quintela.]

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Dia 8: O que desejar bem a alguém significa?

Tradução da newsletter do oitavo dia da campanha 100 Dias de Amor-Bondade, da Wildmind:

Um ponto de discórdia entre algumas pessoas em relação à prática de amor-bondade é o significado de “desejar bem alguém”. O que significa “bem”?

Este assunto surgiu um dia desses, com uma pessoa que tem problemas de saúde que simplesmente não vão desaparecer. Ela nunca estará completamente saudável, de modo que nunca alcançará um bem-estar. Para que desejar algo que a pessoa não pode ter? Não seria mais uma fonte de sofrimento? E se você tiver um amigo que está morrendo de câncer, o que significa desejar que ele esteja bem? Ele não vai melhorar.

O Buda tem uma conversa onde comenta um de seus próprios ensinamentos. É um diálogo bastante fascinante, porque quando a gente lê o verso original, a gente acha que sabe o que o Buda quis dizer, embora quase certamente a gente esteja errado:

Saúde é o ganho mais precioso
e contentamento a maior riqueza.
Uma pessoa de confiança é o melhor parente,
Nibbāna* a maior felicidade

Está no Darmapada, versículo 204. É difícil imaginar algo mais simples do que a primeira linha, equivalente ao velho ditado “se você tiver saúde, tem tudo”. Quando um homem saudável, que se diria, portanto, feliz, menciona este verso para Buda, ele responde que não estava falando sobre a saúde física. O corpo é “uma calamidade e uma aflição”, mesmo quando saudável, aponta. Ele parece querer dizer que um corpo saudável é um corpo não-saudável esperando para acontecer.

A “saúde” a que Buda se refere é a liberdade do sofrimento mental, que em última análise é a iluminação (o nirvana da última linha). Até mesmo um ser iluminado fica fisicamente doente e passa por dor física e desconforto, mas não tem o sofrimento secundário que acompanha os sentimentos de aversão à doença e de desejo que a experiência fosse diferente do que é.

Pense sobre a auto-piedade que comumente experimentamos quando estamos doentes. Essa resistência à doença, essa atitude de “coitadinho de mim” e esse sentimento de termos sido atingidos pelo universo são muito mais dolorosos do que a doença em si. Tudo isso é deixado de lado quando nos iluminamos, e não mais temos aversão ou desejo. Não precisamos ser iluminados para experimentar esta liberdade, embora seja preciso ter esclarecido para experimentá-la permanentemente. Podemos experimentar a liberdade do sofrimento secundário agora, ao deixar de lado as histórias que contamos para nós mesmos sobre a nossa experiência e ficamos apenas com a experiência em si.

Quando dizemos “que eu esteja bem” ou “que você esteja bem”, estamos principalmente desejando a nós mesmos ou aos outros a liberdade do sofrimento secundário, ou seja, a aversão ou o desejo em relação à doença. Estamos desejando que o desconforto da doença seja experienciado conscientemente. Estamos desejando que a gente, ou a outra pessoa, esteja em paz com o que está acontecendo com o corpo.

Jon Kabat-Zinn colocou isso muito bem:

O tratamento não significa a cura, embora as duas palavras sejam muitas vezes usadas ​​como sinônimos. Embora nem sempre seja possível nos curar ou encontrar alguém que consiga nos curar, é sempre possível nos tratar. O tratamento implica a possibilidade de nos relacionarmos de forma diferente com a doença, a invalidez e a morte, ao aprendermos a ver com os olhos da totalidade. O tratamento é a reconciliação com as coisas como elas são.

Claro que é ótimo se você ou a outra pessoa puderem melhorar. Você pode desejar bem a alguém no sentido de que você espera que a pessoa recupere a saúde em breve. Mas, a longo prazo, todos nós vamos ficar doentes, e a paz e a felicidade verdadeiras virão da aceitação paciente de nossa doença. A gente aprende a ver com os olhos da totalidade e a aceitar, sem resistência ou aversão, até mesmo as experiências mais dolorosas.

Com metta (bondade),
Bodhipaksa

[Notas da tradução:
*nirvana, iluminação;
O Dhammapada, Darmapada ou Caminho do Dharma é um texto budista tradicionalmente considerado como tendo sido composto pelo próprio Buda. A tradução em português deste verso é de Bhikkhu Dhammiko, e foi publicada em “Dhammapada – O Caminho da Sabedoria do Buddha
Alguém tem alguma sugestão melhor para traduzir healing e cure na citação de Jon Kabat-Zinn? Ele começa com “Healing does not mean curing“]

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Zero Hora: Com ajuda da entrevistada, repórter dá os primeiros passos na meditação

No meio de uma entrevista com a médica Mariela Silveira sobre o valor da meditação para a saúde e para a qualidade de vida, a repórter do Jornal Zero Hora Fernanda Pandolfi parou a matéria para tentar meditar. Ela conta aqui como foi a experiência – destaco alguns trechos abaixo:

A Mariela me guiou, auxiliando na maneira exata de respirar e repetindo frases de tempo em tempo que me levaram a 15 minutos de transe. Tive espasmos, como se estivesse dormindo, e terminei a sessão com as mãos e o corpo quente.

“Vou praticar todos os dias”, pensei. Na primeira tentativa em casa, lembrei bastante da Julia Roberts nas primeiras cenas de templo budista no filme Comer, Rezar e Amar: tudo coçava, as costas doíam, o barulho dispersava e depois de uma eternidade de olhos fechados, passaram-se cinco minutos. Não poderia ser. Tentei novamente à noite e, dessa vez, quase dormi. Aliás, eu acho que ressonei por uns segundos. E assim, consecutivamente, naquela semana.

Com o girar do tempo – agora já se vai um mês -, a prática foi me ajudando. Diminuí a frequência, comecei a meditar só ao acordar e quando me sentia à vontade. Ainda não passei dos cinco minutos diários, mas já me sinto mais leve para levantar da cama e cumprir a agenda. Dos melhores ganhos que tive até agora: passei a abrir a persiana do meu quarto pelas manhãs, ato que andava esquecido por conta da correria e do relógio cronometrado.

Dia 7: Sorria a caminho do amor-bondade

Chegamos à primeira semana! Eis a newsletter do sétimo dia da campanha 100 Dias de Amor-Bondade, da Wildmind:

Se você olhar para uma estátua ou pintura do Buda, notará que ele é quase sempre retratado com um sorriso no rosto. Ele não tem um riso largo – o Buda é acima de tudo uma pessoa consciente e composta em relação a suas emoções – e sim um sorriso gentil e compassivo.

E adotar um sorriso, mesmo quando não nos sentimos com vontade de sorrir, é algo que pode nos ajudar a ser mais gentis, pois um sorriso é uma forma de comunicação, tanto interior quanto exterior.

Acho que hoje em dia quase todo mundo já sabe que sorrir afeta a nossa fisiologia e a forma como nos sentimos. Um estudo, por exemplo, levou pessoas a segurar chopsticks com os dentes de uma forma a criar um sorriso artificial. Os participantes não chegaram a perceber que estavam sorrindo, mas ainda assim tiveram a fisiologia alterada. Eles conseguiram recuperar-se mais rapidamente de situações estressantes do que os participantes não-sorridentes, e apresentaram batimentos cardíacos mais baixos. Estavam, literalmente, praticamente capazes de “sorrir e aguentar”.

Estudos semelhantes mostram que pessoas que estão sorrindo, mesmo desta forma artificial e sem saber, acham cartuns cômicos mais engraçados, experimentam mais prazer ao olharem para rostos (mesmo rostos infelizes), e apresentam um aumento de humor. Os efeitos sobre o humor são mais pronunciados em pessoas constrangidas – o que geralmente equivale, na minha experiência, a auto-criticismo. Sorrir altera a taxa e a profundidade da respiração e a frequência dos batimentos cardíacos, deixando ambos mais alinhados com a forma como o corpo se comporta quando estamos felizes. Também muda a temperatura do sangue que flui para o cérebro, o que pode ser uma das maneiras como o sorriso afeta nossas emoções.

Estes efeitos são modestos. Se estivermos passando por uma depressão profunda, ou de luto pela perda de um ente querido, não vamos “sair dessa” por causa da adoção de um sorriso. Mas em circunstâncias mais normais, podemos dar um empurrãozinho em nossas emoções na direção da felicidade, confiança e bondade simplesmente sorrindo.

Uma coisa que observei sobre sorrir é que isso me ajuda a transmitir uma sensação de bondade para com qualquer parte da minha experiência que eu esteja observando. Quando eu sorrio ao prestar atenção a uma parte do meu corpo que está doendo, ou a um sentimento doloroso, é como se estivesse enviando um sinal dizendo: “Está tudo bem. Tudo está OK. Há dor, claro, mas podemos lidar com ela”. Sorrir nos permite  comunicar tranquilidade para nós mesmos, o que cria uma dinâmica muito diferente de quando estamos passando por dor física ou emocional, estamos chateados ou desejamos escapar do desconforto. Essa rejeição da nossa experiência simplesmente provoca mais dor. Sorrir transmite confiança, e a confiança está, como eu indiquei há alguns dias, relacionada à nossa capacidade de ter boa vontade para com os outros. Quando nos falta confiança, tendemos a supor que não faremos a diferença ou que teremos só um efeito negativo, sobre os outros. É preciso confiança para pensar que a nossa bondade importa – que nós importamos.

Quando eu sorrio, não só eu sinto que meu coração abranda, mas tudo no mundo ao meu redor parece abrandar também, incluindo outras pessoas. Sorrir transmite benevolência. Pesquisas mostram que, quando sorrimos, as pessoas nos julgam com menos severidade; sorrir ajuda os outros a se sentir mais benevolentes. E isso certamente nos ajuda a nos sentir mais benevolentes também. O sorriso de Buda mostra não apenas felicidade, mas amor e compaixão por todos os seres. Quando sorrimos ao desejar que outras pessoas estejam bem, sentimos mais bondade para com elas.

Uma coisa linda sobre sorrir durante a meditação é que isso pode desencadear um ciclo de feedback onde sorrir nos deixa mais felizes e estar mais felizes nos faz sorrir. Como Thich Nhat Hanh diz: “Às vezes, a sua alegria é a fonte de seu sorriso, mas às vezes o seu sorriso pode ser a fonte de sua alegria”.

Então, sorrir é uma coisa fácil de fazer, eficaz e grátis. O que em si é motivo para sorrir.

Com metta (bondade),
Bodhipaksa

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Foto de Yacine Baroudi (CC BY 2.0)

Foto de Yacine Baroudi (CC BY 2.0)

Dia 6: Olhando com um olhar amoroso

Tradução da newsletter do sexto dia da campanha 100 Dias de Amor-Bondade, da Wildmind:

Vou compartilhar aqui uma maneira de se relacionar, que chamo de “olhar amoroso”. Se você participou do nosso desafio 28 dias de Meditação, será algo muito familiar. Peguei esta abordagem é emprestada de Jan Chozen Bays, que descreve a prática de “olhos amorosos” em Como Domar um Elefante. Neste livro, ela diz:

Sabemos usar olhos amorosos quando estamos nos apaixonando, quando vemos um bebezinho ou um animal fofinho. Por que não usar os olhos amorosos com mais frequência?

Então o que podemos fazer é nos lembrar, ou até mesmo apenas imaginar, a experiência de olhar com olhos amorosos. Podemos recordar ou imaginar que estamos olhando para um filho amado, um bem-querer, ou até mesmo um animal de estimação. Eu sempre me lembro de quando vejo os meus filhos dormindo. Acho que os sentimentos de carinho, apreço e aceitação são muito transferíveis, então uma vez que a gente tenha evocado um olhar amoroso dessa forma, podemos transferir os mesmos sentimentos ao olhar amorosamente para nós mesmos. Ao observar nosso corpo,  respiração, pensamentos, etc, podemos olhar para eles com olhos amorosos.

E uma vez que a gente o tenha evocado para nós mesmos, podemos então transferir o olhar amoroso para os outros: amigos, pessoas que não conhecemos, pessoas que estejam passando por dificuldades, animais, todos os seres…

Eu acho que esta é uma maneira muito rápida de ajudar a bondade a surgir.

E quando fazemos isso, tudo o que experimentamos parece tornar-se mais suave e mais leve. O mundo aparenta ser um lugar mais bonito, às vezes de tirar o fôlego. Mesmo as partes feias da vida parecem bonitas em sua feiúra. Podemos sentir que estamos apaixonados pela vida. E começamos a perceber que o mundo é a nossa experiência do mundo, o que não é separável de nós mesmos. E assim, quando mudamos, o mundo como percebemos também muda. O mundo de nossa experiência se torna mais amoroso, mais leve.

Há algo que Chozen diz sobre isso que sempre me deixa sentindo como se meu coração estivesse todo aberto:

Ver com olhos de amor não é uma experiência de via única, nem apenas uma experiência visual. Quando tocamos algo com olhos amorosos, levamos um certo calor do nosso lado, mas também podemos nos surpreender ao sentir o calor irradiando de volta para nós. Começamos a nos perguntar: será que tudo no mundo é feito de amor? E será que eu o estou bloqueando? [grifo nosso]

Experimente, tanto em sua prática de meditação quanto no seu cotidiano. Você pode começar agora mesmo, enquanto seus olhos passam pelas palavras na sua frente. Olhe com amor e, em seguida, leve esse olhar amoroso para a sua próxima atividade.

Com metta (bondade),
Bodhipaksa

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Mas eu nunca meditei. É muito difícil?

Assim Cintia, uma moça de juba incendiária, compartilha a experiência de meditadora dela e responde a pergunta de muitas pessoas que querem começar a meditar mas indagam: Mas eu nunca meditei. É muito difícil?

Começar a meditar é muito fácil. Arranje um relógio e coloque-o na sua frente, mas não ligue o alarme, confie na sua mente. Sente-se confortavelmente, mas não se encoste, mantenha as costas eretas (o corpo fala!). Pode ser no chão ou em uma cadeira (eu prefiro no chão). O pulo do gato é ter uma almofadinha pequena ou uma toalha dobrada para colocar embaixo do bumbum. Dá equilíbrio e estabilidade, fundamentais para o conforto e a segurança necessários durante a prática. Mãos ficam em uma posição simétrica. Eu coloco em cima dos joelhos. Se você fechar os dedinhos polegar e indicador, melhor ainda (esse é um mudra que propicia a concentração e mantem o prana circulando no corpo). Defina quanto tempo você vai meditar. Eu sugiro começar com 1 minutinho, fácil fácil e faz uma diferença muito perceptível em nosso estado mental. Feche os olhos e preste atenção à sua respiração, à sensação que o ar proporciona ao passar pelas narinas e chegar ao pulmão. Essa é a técnica de meditação tradicional. Veja que é fácil, mesmo em apenas um minuto voltar o pensamento para outras coisas. Não tem nada de incomum nisso. Todo mundo faz isso no início. O lance é ser gentil com sua mente e delicadamente fazê-la retornar à respiração. Gentileza, amigos. Sua mente merece.”

Cabelos de fogo

Fevereiro é o mês em que volto a meditar diariamente.

Tudo começou quando meu chefe resolveu colocar a turma aqui para meditar antes da reunião. Como as reuniões melhoraram depois disso! E aí, em 2012 eu fiz um curso maravilhoso na Ong Baba Ananda sobre meditação. Foram abordadas várias técnicas e diversos aspectos da mente humana e por que a meditação é tão maravilhosa. Acalma, desintoxica de pensamentos ruins, trata ansiedade, é um santo remédio para insônia, emagrece (sim, você começa a comer de maneira conscienciosa e com isso nota que precisa de menos comida para ser feliz!) e a lista se desenrola até o infinito.

Posso dizer que descobri uma das melhores formas de se passar o tempo. Mas, sei lá por que (talvez auto-sabotagem) parei de praticar todo dia. Por isso, estabeleci que iria voltar às práticas diárias e focar nisso durante o mês de fevereiro inteirinho, de modo…

Ver o post original 400 mais palavras

Dia 5: Encorpando amor-bondade

Tradução da newsletter do quinto dia da campanha 100 Dias de Amor-Bondade:

Há muita confiança em se tratando de amor-bondade, especialmente no que diz respeito a amor-bondade para consigo mesmo (auto- metta), e essa confiança se reflete-se no corpo. Quando estamos nos sentindo amorosos conosco ou com outros, ficamos eretos, o peito é aberto – o coração fica aberto – e relaxamos. Há uma sensação de suavidade, mas também de força. Metta definitivamente não é um estado fraco ou passivo. Trata-se de uma postura confiante.

Muitas vezes, quando nos falta a confiança, afundamos. Os ombros rolam para a frente. O peito desaba, de modo que não dá para respirar bem. O coração se fecha. Olhamos para baixo, o que limita os nossos horizontes, tanto literal quanto figurativamente. Viramos para dentro e ruminamos de uma maneira que nos faz sentir ainda pior. Você não pode ser gentil consigo mesmo ou com os outros em tal postura.

Agora, pesquisas mostram que a nossa postura está intimamente relacionada ao nosso senso de confiança, e que este é mensurável. Amy Cuddy explica em uma palestra do TED muito conhecida que quando as pessoas estão em uma postura confiante – as posições clássicas de Mulher Maravilha ou Super Homem, com as pernas afastadas, as mãos nos quadris, o peito aberto, olhando para a frente – os níveis de testosterona são estimulados. A testosterona, ao contrário da crença popular, não é apenas um hormônio masculino. É encontrado em homens e mulheres. E está relacionado à confiança, um senso de competência e auto-estima. E a mesma postura confiante também reduz os níveis de cortisona (um hormônio do estresse) no sangue, reduzindo os níveis de estresse e ansiedade.

Estas mudanças em nossos níveis hormonais ocorrem depois de apenas dois minutos, o que é bastante surpreendente. Não demora muito para que a nossa fisiologia mude em resposta a nossa postura. Em apenas dois minutos, você pode se sentir mais confiante e forte.

Sugiro então que você tente fazer isso como uma prática. Quando estiver em pé ou sentado, ou mesmo trabalhando na frente de um computador ou posicionado para a meditação, tente manter o corpo ereto e o peito aberto por pelo menos dois minutos. Sinta o tom da sensação – espero que de confiança – de adotar uma postura aberta e ereta.

Mas também permita que o corpo amoleça. Deixe a sua musculatura relaxar um pouco. Traga a sua consciência para o coração, respire naquela região do corpo e ative o nervo vago, de modo que o coração sinta-se brando e aberto. E, em seguida, deseje que você, e o resto do mundo, estejam bem.

Com metta (bondade),
Bodhipaksa

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Dia 4: Trazendo amor-bondade ao coração

Tradução da newsletter do quarto dia da campanha 100 Dias de Amor-Bondade:

Hoje, como parte dos 100 Dias de Amor-Bondade, vamos continuar focando na prática da auto-metta. Eu vou sugerir uma prática simples para ajudar a trazer uma atitude mais gentil a sua vida diária: simplesmente estar ciente de seu coração.

Eu não estou falando de perceber o coração batendo, mas em trazer a consciência para a parte central do seu peito e voltar ao local diversas vezes durante o dia.

Esta região do corpo é muito importante em termos de sentimentos, razão pela qual “emoção” e “coração” são praticamente sinônimos. E mais importante ainda, “amor” e “coração” também são praticamente sinônimos. O símbolo do coração – ❤ – significa  “amor”, antes de qualquer coisa.

Há uma razão para isso, um grande nervo chamado vago (ou pneumogástrico) que corre pelo centro do peito. O nervo vago é um importante componente do sistema nervoso parassimpático, responsável por trazer o corpo de volta à calma, descanso e equilíbrio. E o vago é muito importante para mediar sentimentos que podem ser associados ao amor e à compaixão. Quando ele é ativado, pode haver uma sensação de calor e de abertura ao redor do coração (pode haver amor e compaixão sem essas sensações, que são um bom bônus).

A psicóloga Barbara Fredrickson, da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, Estados Unidos, descobriu que praticar a meditação de amor-bondade durante apenas algumas semanas aumenta significativamente o chamado “tônus ​​vagal”, que é uma medida da atividade do nervo vago e um sinal de boa saúde vagal (análoga ao “tônus ​​muscular”).

O professor Stephen Porges, da Universidade de Illinois em Chicago, descreveu o nervo vago como o nervo da compaixão. E o Dr. Dacher Keltner, o autor do livro Born to Be Good (Nascido Para Ser Bondoso, em tradução livre) e co-diretor do Greater Good Science Center, aponta que crianças que apresentam um tônus ​​vagal mais forte são mais cooperativas e prestativas, e, por exemplo, intervêm ao ver outra criança sendo intimidada.

Basta chamar a atenção para a área do coração para ajudar a ativar o nervo vago. Então, tente o seguinte:

  • Conscientize-se da área do coração.
  • Observe quais emoções e sensações estão presentes – sem julgamento. Não importa o que está lá: esteja você se sentindo neutro ou mesmo se sentindo um lixo, é apenas o seu ponto de partida neste momento.
  • Deixe passar, da melhor forma possível, qualquer tensão na área, deixando uma sensação de suavidade emergir.
  • Envie pensamentos de bondade para esta parte do corpo, dizendo: “Que você esteja bem; que você seja feliz, que você fique à vontade”.
  • Repita estas frases várias vezes ao dia, sempre que fizer uma pausa, tiver um intervalo ou durante alguma tarefa rotineira, como dirigir ou tomar banho, quando a mente normalmente vagueia.

Deixe de lado qualquer anseio por resultados, o que muitas vezes é simplesmente  apego e pode envolver rejeição por sua experiência atual. Apenas permita que as coisas se desenrolem em seu próprio tempo.

Com metta (bondade),
Bodhipaksa

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Dia 3: Lidando com a ausência de amor-bondade

Tradução da newsletter do terceiro dia da campanha 100 Dias de Amor-Bondade:

Algumas pessoas se deparam com sérias dificuldades na meditação de amor-bondade, especialmente no que tange o cultivo de amor-bondade para consigo mesmas. Às vezes, sentem uma sensação de fracasso e desânimo em torno da prática, a evitando. Acredito que que esta sensação de fracasso parta de uma incompreensão do que seja metta.

Muitas das pessoas que encontram dificuldades na prática da meditação de amor-bondade acreditam que metta seja uma emoção. Elas acham que trata-se de uma emoção que ainda não experimentaram, vendo metta como algo grandioso e imponente, profundamente comovente, uma coisa poderosa e até mesmo avassaladora. E, no passado, talvez tenham sentado em meditação, tentando fazer com que esta grande emoção acontecesse, e não vendo nenhuma grande emoção chegar semana após semana, mês após mês, ano após ano, chegaram à conclusão que experimentar metta era algo que não estava ao alcance delas.

Mas metta não é uma emoção. É uma volição.

O que é volição então? A volição é um desejo ou vontade (do verbo volere que significa “querer” em latim). Especificamente, metta é o desejo de que todos os seres (incluindo nós mesmos) estejam bem, felizes e em paz. Agora, esse desejo pode vir acompanhado de certos sentimentos, como um calor no coração, ou talvez não. Muitas vezes, não é.

Sempre que você agir de uma forma que valoriza o bem-estar de outra pessoa e leva em conta a felicidade dela, você está agindo com metta. Assim, para dar um exemplo muito comum, você segurar uma porta aberta para alguém atrás de você passar. Você não deixaria a porta bater, porque seria uma experiência desagradável para a pessoa e  causaria sofrimento a ela. E isso você não quer. Mas geralmente não há nenhum grande afloramento de emoção ao segurar a porta para alguém passar. Talvez haja um pequeno brilho de felicidade, talvez não. O importante é que você tratou outra pessoa bem. O fato de você sentir algo é secundário, e não muito importante.

Se você acha que metta é uma emoção, então a prática da meditação de amor-bondade pode ser especialmente difícil quando se trata de auto-metta, pois você procura um sentimento de amor por si próprio e não o encontra. O que significa (você presume) que você não ama a si mesmo. O que significa que você não é digno de amor. O que significa que você é uma pessoa terrível. O que significa que você não merece amor. E portanto você não se ama (ou não consegue se amar). Nesse ponto, você está sentindo alguma coisa, mas é algo muito doloroso!

Porém, mais uma vez, a auto-metta é tão tecida em nosso ser que simplesmente não a vemos. Certamente, pode ser que sejamos o oposto de bondoso em relação a nós mesmos, às vezes, por exemplo, podemos falar conosco de maneira áspera. Mas nos alimentamos e nos vestimos, nos tratamos, e, geralmente, nos impedimos de sermos prejudicados. Cuidamos de nós mesmos. Nossa auto-metta está presente praticamente o tempo todo.

Metta é uma parte muito comum da vida. Esta qualidade de desejar que todos os seres (incluindo nós mesmos) estejam bem, felizes e em paz é parte do tecido de nosso ser. Metta não é uma nova coisa estranha que você nunca experimentou. As sementes de metta estão sempre lá para cultivarmos. Ao cultivar plantas, você não começar com nada. Você começa com sementes. E as sementes de metta já existem dentro de nós, na forma da bondade comum que demonstramos no dia a dia.

Portanto, não há necessidade de evitar a prática de amor-bondade, caso você a considere um desafio. O que você precisa fazer é mudar o seu entendimento do que metta é. Para tanto, veja a seguir algumas coisas que eu sugiro:

  • Eu o encorajo a aceitar, antes de tudo, o fato de que metta não é uma emoção, mas um desejo: um desejo de felicidade e bem-estar.
  • Eu o encorajo a aceitar que você tem de fato esse desejo de felicidade e bem-estar, e, portanto, você tem auto-metta.
  • Eu o encorajo a perceber as pequenas coisas que você faz que representam atos de cuidado pessoal, algo tão básico quanto estar em segurança ao atravessar a rua, ou algo além, como fazer uma pausa quando estiver cansado. Aprecie essas coisas e as reconheça como auto-metta.
  • E, finalmente, perceba as maneiras como você se importa com os outros, mesmo em pequenas coisas, como sair da frente para que eles possam passar, ou segurar uma porta aberta.

Mas também cultive metta e, principalmente, auto-metta, em sua prática de meditação diária e até mesmo durante o dia, repetindo qualquer uma das frases de amor-bondade que sejam mais significativas para você. Frases como “Que eu esteja bem; que eu seja feliz, que eu possa estar à vontade”. Esteja aberto a qualquer resposta em forma de sentimentos que venha, mas está tudo bem se você não sentir algo. Basta fazer a prática para reforçar o seu desejo de estar bem e feliz.

Com metta (bondade),
Bodhipaksa

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Dia 2: O que é amor-bondade (lovingkindness)?

Tradução da newsletter do segundo dia da campanha 100 Dias de Amor-Bondade:

Amor-bondade (metta) é tão-somente o desejo que temos que todos os seres, incluindo nós mesmos, sejam felizes. É algo muito simples, natural e inato. Podemos pensar nisso só como “bondade”, que acho que é, na verdade, uma das melhores palavras para traduzir o termo metta. É fácil lembrar de momentos em que fomos bondosos, como nos sentimos quando somos bondosos e como é ver a bondade de outras pessoas em ação. A “bondade” é uma qualidade que podemos abordar experimentadamente.

Metta bhavana, ou meditação de amor-bondade, é uma prática através da qual entramos em contato e fortalecemos a nossa bondade inata.

Quero salientar novamente que a bondade – metta – é natural e intrínseca. Você já a tem  e não é necessário criá-la. Não é algo místico ou sobrenatural, ou algo que você não tenha experimentado antes. Mas ela pode ser reforçada.

Para ter uma noção da naturalidade e simplicidade desta qualidade de bondade, considere as seguintes reflexões:

  • Você quer, de modo geral, ser feliz. Você não quer, de modo geral, sofrer (isto é verdade para você?).
  • A felicidade é, muitas vezes, muito mais difícil de se encontrar do que você acha que seria, e o sofrimento é algo que você experimenta com mais frequência do que você gostaria (também é verdade para você?)
  • Faça uma pausa por um momento e confira a veracidade dessas declarações em seu coração.

Agora, tendo deixado esses pensamentos circular em sua mente, e tendo percebido a veracidade deles em sua experiência (e tudo bem se for uma verdade incômoda), pergunte-se se há alguma parte de você que pode reagir com apoio e simpatia ao lidar com essa coisa difícil que é ser humano. Porque ser humano é uma coisa difícil, seguir esta tarefa de viver, buscar a felicidade e saber que ela é elusiva, tentar evitar o sofrimento e descobrir que ele surge com muita frequência. Quando você considera a vida a partir desta perspectiva, sente um pouco mais de simpatia por si mesmo do que o habitual?

Agora, considere que essas reflexões são verdadeiras para as outras pessoas também. Todos os seres, goste você deles ou não, conheça-os ou não, estão na mesma situação que você. Pause, relaxe e veja se há alguma parte de você que pode apoiar e valorizar as aspirações dos outros seres à medida que eles lutam para encontrar a felicidade e escapar do sofrimento, ao também lidar com essa coisa difícil que é ser humano.

É portanto uma coisa muito natural, embora possa ir extremamente contra alguns dos nossos condicionamentos (“quer dizer que eu tenho permissão para gostar de mim?”).

As frases que eu incentivo você a circular na mente como uma forma de cultivar uma atitude mais gentil consigo mesmo têm a intenção de tocar em nosso desejo natural de ser feliz:

  • Que eu esteja bem
  • Que eu seja feliz
  • Que eu me sinta à vontade

Temos um guia bastante extenso sobre a prática de amor-bondade no site do Wildmind, e você pode começar com o cultivo da bondade para consigo mesmo aqui. Ou, se  preferir, pode ir direto a esta rápida meditação guiada, que introduz a prática de “auto-metta”. Foi gravada há muito tempo, em equipamento muito ruim, mas se conseguir ignorar essas deficiências, espero que tire proveito. [nota da tradução: substitui os links originais por links para as páginas ligeiramente correspondentes no site da Wildmind em português].

Com metta (bondade),
Bodhipaksa

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Cem dias de amor-bondade

A comunidade de meditação budista Wildmind promove, a partir desta sexta 31 de janeiro, o evento online 100 Dias de Amor-Bondade, uma oportunidade de, ao longo de um período de pouco mais de três meses, trazer mais compaixão e bondade a nossas vida.

Conhecida em inglês como Loving-Kindness e em português como meditação de amor-bondade ou da compaixão, a  Mettã ou Metta Bhavana é uma das mais antigas formas de prática budista, transmitida em uma linha ininterrupta de mais de 2.500 anos. O objetivo é o desenvolvimento de sentimentos de amor incondicional, empatia, bondade e compaixão em relação a si mesmo, outras pessoas e, eventualmente, em relação a todas as formas de vida.

Uma pesquisa publicada em 2012 pela Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade demonstrou que prática dessa meditação “mostra-se como uma ferramenta útil e promissora como recurso complementar no tratamento de diversas doenças, tanto fisiológicas quanto psicológicas, demonstrando-se ainda como poderoso recurso auxiliar ao processo psicoterapêutico, trazendo inúmeros benefícios aos seus praticantes”.

Durante os 100 Dias de Amor-Bondade, aprenderemos a:

  • Apreciar que a bondade é algo inerente em nosso ser, e que só precisa ser alimentada
  • Ser gentil conosco
  • Ser menos irritadiço e mais paciente com os outros
  • Desenvolver aceitação em vez de fazer julgamentos
  • Desenvolver compaixão genuína
  • Evitar a “compaixão idiota” (onde negamos as nossas próprias necessidades para servir os outros )
  • Tornar-mos mais sensíveis e ver o melhor nos outros
  • Ganhar equilíbrio ao lidar com as dificuldades da vida

Ao se inscrever, você vai receber diariamente um lembrete para a prática, com links para meditações guiadas e outros recursos. Há também uma comunidade no Google Plus, onde os membros podem fazer perguntas, compartilhar a experiência e obter apoio e encorajamento. A participação em 100 dias de Bondade é aberta a todos e gratuita (doações são aceitas) – inscreva-se aqui.

Os comunicados serão em inglês. Com o intuito de ampliar a mensagem, vou me esforçar para traduzir parte do material e publicar aqui. Acompanhe!

Nota

Meditando mesmo quando a rotina muda

Os últimos dias me trouxeram alguns desafios para a minha prática de meditação e com eles, algumas lições.

O primeiro deles foi uma viagem a trabalho, e além da mudança no ambiente onde estou acostumada a meditar, dividi o quarto do hotel com uma colega. A gente só precisaria acordar às 8h, mas meu alarme com o chamado para meditar soa às 7h, com um outro alarme às 8h avisando que a meditação chegou ao fim. Como não queria acordá-la mais cedo, desativei o alarme das 7h e confiei que acordaria assim mesmo. E acordei! Só que ela também acordou e, me vendo sentada na cama, perguntou se eu estava com dor nas costas. Expliquei que estava meditando, e ela ficou quietinha, esperando que eu acabasse. Não consegui ficar uma hora, preocupada que ela poderia querer se levantar, ir ao banheiro, sei lá, e ainda que isso não me incomodasse, eu esqueci de avisar a ela. Me dei por satisfeita aos 50 minutos, sabendo que poderia repor de noite.

Na manhã seguinte, um sábado, já estava casa mas acordei muito cansada com o alarme das 7h. Como não tinha nenhum compromisso para o dia, resolvi voltar a dormir e deixar para meditar mais tarde, ou seja, quebraria a minha rotina mas ainda cumpriria o meu regime. Meditei das 9h30 às 10h30, e ainda foi a primeira coisa que fiz no dia. Outra quebra da rotina aconteceu na noite de ontem para hoje. Tive insônia, e depois de passar duas horas tentando dormir, ora concentrando nas sensações do corpo, ora na respiração e ora pensando em tudo e todos, resolvi reconfigurar o despertador e antecipar minha meditação para 4h30. Foi a melhor coisa que fiz! Dizem que esse é um horário ótimo para meditar, e de fato pude sentir como se minha testa estivesse iluminada por dentro, e por fora tive a sensação de uma brisa leve no rosto, que tem se tornado bem comum. Quando o despertador tocou, voltei para baixo das cobertas e dormi como um anjo.

Lições que aprendi:

– Na próxima vez, caso aconteça de dividir um quarto com uma outra pessoa, explicarei com antecedência que costumo meditar, como funciona, e que a pessoa pode levantar, se quiser;
– Posso ser flexível com os horários, afinal de contas não estou num quartel! O que não posso é quebrar o hábito.
– Em caso de insônia, o melhor a fazer é meditar!