Citação

A meditação vem quando você está feliz

Por que na cabeça de todo mundo surge essa idéia de que a meditação traz felicidade? De fato, sempre que eles encontram uma pessoa feliz, eles encontram uma mente meditativa, essas duas coisas estão associadas. Sempre que eles encontram uma bela atmosfera meditativa circundando um homem, eles sempre descobrem que ele estava tremendamente feliz; vibrante com a alegria, radiante. Essas coisas se tornaram associadas. E eles pensam que a felicidade vem quando você está meditativo. E é exatamente o oposto: a meditação é que vem quando você está feliz.
Mas ser feliz é difícil e aprender a meditar é fácil. Ser feliz significa uma drástica mudança em sua maneira de viver, uma mudança abrupta, porque não há nenhum tempo a perder. Uma mudança súbita, um repentino estrondo de trovão (a sudden clash of thunder), uma descontinuidade.

Isso é o que eu entendo por sânias: uma descontinuidade com o passado. Um repentino estrondo de trovão, e você morre para o velho e então, revigorado, você recomeça do bê-a-bá. Você nasce de novo. Você começa de novo a sua vida, como você começaria se os padrões não tivessem sido impostos a você pelos seus pais, pela sociedade, pelo Estado; como se ninguém tivesse desviado você. Mas você foi desviado.

Você tem que deixar de lado todos os padrões que foram impostos a você, e você tem que encontrar a sua própria chama interior.

~ Osho, em A Sudden Clash of Thunder (Tradução: Sw. Bodhi Champak). Fonte.

Áudio

Toda verdade

Os The Darma Lóvers

Nem sempre é fácil de ouvir
Toda verdade que você tiver para dizer

Ela não tem dono nem partido
Mas quantas vezes é difícil de saber
O que foi revelado ou esquecido
O quanto dela estão tentando esconder

Todos querem usar o seu nome
Só que não querem que ela possa aparecer
Quem sabe dando um tempo ela some
E todos voltam para casa sem se comprometer

Apesar de todas tentativas
Vai vir o dia em que ela virá nos lembrar
Que a mentira até pode ser vendida
Mas a verdade essa ninguém pode comprar

Gosto de me encontrar com ela
Embora saiba que nem sempre é alegria
Saber o que se passa fora e dentro
Ouvir as vezes coisas que não gostaria

Nem sempre é fácil de ouvir
Toda verdade que você tiver para dizer

Mas sempre é bom de saber
Toda verdade que você tiver para dizer

Toda Verdade é faixa do CD “Espaço!” do Os The Darma Lóvers, dupla que faz música a partir da “colagem de meditação budista + rock´n roll + MPB + psicodelia + tropicalismo & poesia” e “temática que vai do amor à impermanência, da alegria à reflexão”.

Nota

A importância do gato na meditação

O final de minha meditação na manhã de hoje foi marcado pela resistência – com bastante metta e equanimidade – aos pedidos (exigências?) de carinho e ao ronronar estrondoso de minha gata, que já subiu as escadas miando atrás de atenção e em poucos pulos alojou-se em meu colo, se esfregando em minha barriga e amassando minhas pernas com as patinhas (e unhas afiadas!).

Em meio à meditação, me lembrei desta crônica de Paulo Coelho, publicada no livro “Ser como um rio que flui”. Não é tanto sobre meditação – é mais sobre tradições e imposições sociais que deixamos arraigar de maneira inquestionável em nossas vidas, ora em forma de hábitos ou rituais, ora em forma de normas ou regras. Todas as frases que começam com “devemos”, “não devemos”, “deve-se”, “deveria” – com o verbo dever em todas as suas conjugações – estão nessa categoria.

O texto A importância do gato na meditação não deixa de ser, portanto, uma contemplação sobre a busca da verdade para além das aparências e convenções, inclusive a verdade de quem somos. E, como o Buda recomendava, sobre avaliar, passando pelo crivo de nossa experiência pessoal, todo e qualquer tipo de imposição ao nosso ser, questionando tudo e não aceitando nada simplesmente porque a maioria diz que deve ser de determinada maneira. Vamos a ele:

Tendo recentemente escrito um livro sobre a loucura (Veronika decide morrer), vi-me obrigado a perguntar o quanto das coisas que fazemos nos foi imposta por necessidade, ou por absurdo. Por que usamos gravata? Por que o relógio gira no “sentido horário”? Se vivemos num sistema decimal, porque o dia tem 24 horas de 60 minutos cada?

O fato é que, muitas da regras que obedecemos hoje em dia não tem nenhum fundamento. Mesmo assim, se desejemos agir diferente, somos considerados “loucos” ou “imaturos”. Enquanto isso, a sociedade vai criando alguns sistemas que, no decorrer do tempo, perdem a razão de ser, mas continuam impondo suas regras. Uma interessante história japonesa ilustra o que quero dizer:

Um grande mestre zen budista, responsável pelo mosteiro de Mayu Kagi, tinha um gato, que era sua verdadeira paixão na vida. Assim, durante as aulas de meditação, mantinha o gato ao seu lado – para desfrutar o mais possível de sua companhia.
Certa manhã, o mestre – que já estava bastante velho – apareceu morto. O discípulo mais graduado ocupou seu lugar.
– O que vamos fazer com o gato? – perguntaram os outros monges.

Numa homenagem à lembrança de seu antigo instrutor, o novo mestre decidiu permitir que o gato continuasse frequentando as aulas de zen-budismo. Alguns discípulos de mosteiros vizinhos, que viajavam muito pela região, descobriram que, num dos mais afamados templos do local, um gato participava das meditações. A história começou a correr.

Muitos anos se passaram. O gato morreu, mas os alunos do mosteiro estavam tão acostumados com a sua presença, que arranjaram outro gato. Enquanto isso, os outros templos começaram a introduzir gatos em suas meditações: acreditavam que o gato era o verdadeiro responsavel pela fama e a qualidade do ensino de Mayu Kagi, e esqueciam-se que o antigo mestre era um excelente instrutor

Uma geração se passou, e começaram a surgir tratados técnicos sobre a importancia do gato na meditação zen. Um professor universitário desenvolveu uma tese – aceita pela comunidade acadêmica – que o felino tinha capacidade de aumentar a concentração humana, e eliminar as energias negativas. E assim, durante um século, o gato foi considerado como parte essencial no estudo do zen-budismo naquela região.

Até que apareceu um mestre que tinha alergia a pelos de animais domésticos, e resolveu tirar o gato de suas práticas diárias com os alunos. Houve uma grande reação negativa – mas o mestre insistiu. Como era um excelente instrutor, os alunos continuavam com o mesmo rendimento escolar, apesar da ausência do gato.

Pouco a pouco, os mosteiros – sempre em busca de ideias novas, e já cansados de ter que alimentar tantos gatos – foram eliminando os animais das aulas. Em vinte anos, começaram a surgir novas teses revolucionárias – com títulos convincentes como “A importância da meditação sem o gato”, ou “Equilibrando o universo zen apenas pelo poder da mente, sem a ajuda de animais”.

Mais um século se passou, e o gato saiu por completo do ritual de meditação zen naquela região. Mas foram precisos duzentos anos para que tudo voltasse ao normal – já que ninguém se perguntou, durante todo este tempo, por que o gato estava ali.

E assim começou meu fim de semana. Enquanto isso, de manhã cedo, minha gata medita assim:

Ilustração de Kathy Crabbe (CC BY-NC-ND 2.0)

Ilustração de Kathy Crabbe (CC BY-NC-ND 2.0)

Citação

A meditação é uma função do estar feliz

“A meditação é necessária somente porque você não escolheu ser feliz. Se você tivesse escolhido ser feliz, não haveria nenhuma necessidade de meditação. A meditação é medicinal: se você está doente, então o medicamento é necessário. Os Budas não precisam de meditação. Uma vez que você começou a escolher a felicidade, uma vez que você decidiu que você tem que ser feliz, então nenhuma meditação é necessária. A meditação começará a acontecer naturalmente, por ela mesma.

A meditação é uma função do estar feliz. A meditação segue o homem feliz como uma sombra: em qualquer lugar que ele for, qualquer coisa que ele estiver fazendo, ele estará meditativo. Ele estará intensamente centrado. […]

A meditação ocorre naturalmente a uma pessoa feliz. A meditação ocorre naturalmente a uma pessoa alegre. A meditação é muito simples para uma pessoa que pode celebrar, que pode curtir a vida. Mas você tem tentado isso de uma outra maneira, e assim não é possível.”

~ Osho, em A Sudden Clash of Thunder (Tradução: Sw. Bodhi Champak). Fonte.

Quotidiano

Inspiração / Expiração

Senta-se e coloca as mãos em cima da mesa.

Meio mundo à sua volta julga-se louco e ao outro meio mundo falta-lhe loucura.

Inspiração

Deixemo-nos de lérias:

– Há-que procurar o improvável! Esse é o verdadeiro néctar da vida!

Expiração

Levanta-se e vai fazer um chá.

Poema de Aurora Buzilis, publicado no blog arquétipo de mim.

Susann Probst

Foto: Susann Probst

Imagem

Se a gente abre nossos corações…

meditação Pema Chödrön

Se a gente aprende a abrir nossos corações, todo mundo – até mesmo aquelas pessoas que nos levam à loucura – pode ser nosso professor (~Pema Chödrön)

Frase de Pema Chödrön, com ilustração de Mike Medaglia (©2014 Mike Medaglia).

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Mundano

“Qualquer atividade mundana pode se tornar meditativa. Cavar um buraco no jardim, plantar novas rosas no jardim – é possível fazer isso com tanto amor e compaixão, você pode fazê-los com as mãos de um Buda.”

~ Osho, Hyakujo: The Everest Of Zen, With Basho’s Haikus, # 5. Fonte.

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Quando mais precisamos meditar

Na nossa vida, alguns dias serão piores que outros. Haverá dias muito conturbados, com muito trabalho, muitas preocupações, dias ruins. A mente estará bastante irritada, toda a nossa energia estará perturbada. Pode ser que você se sente para praticar e dois minutos depois desista: “Esqueça! Hoje não vai dar pra meditar!” E então se levante, vá ver TV, ou vá para a internet. Isso é como estar muito doente e pensar: “Ah… estou tão doente! Estou muito doente pra tomar remédio! Vou deixar pra quando estiver me sentindo melhor! […]

É nos momentos em que a sua mente está mais desequilibrada que você mais precisa meditar.

~ Alan Wallace

Via: Cultivando o Equilíbrio – acesse o link para ver o trecho completo da fala de Alan Wallace no retiro sobre os seis bardos, realizado em Viamão em 23 de janeiro de 2014.

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Adestramento da mente

Não se deve permitir que a fala e as atividades físicas que acompanham os processos mentais ocorram de forma descontrolada ou aleatória. Da mesma forma que um treinador adestra e amansa um potro selvagem e bravo por meio de um longo e rigoroso treinamento, assim as atividades físicas e os pensamentos imprudentes e sem rumo devem ser disciplinados com o objetivo de torná-los dóceis, justos e capazes.

Dalai Lama, em Palavras de Sabedoria, Editora Sextante.

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Salve o seu dia

Não importa quão ocupados possamos estar, ou pensamos estar, ninguém nos paga o suficiente para se dar ao luxo de demandar nossos recursos mentais, todos os momentos do dia. Até mesmo durante o trabalho podemos dedicar quinze segundos aqui e sessenta segundos ali para equilibrar nossa atenção, concentrando-nos em nossa respiração. Podemos deixar nossos olhos abertos e nos sentarmos calmamente por alguns instantes, sem chamar a atenção. Podemos fazer isso em nosso local de trabalho, enquanto estamos na fila do banco, ou esperando o ônibus. Existem muitas breves ocasiões, desde que nos levantamos pela manhã até quando vamos dormir à noite, onde podemos “salvar o nosso dia” com uma “pitada” de atenção plena à respiração. Cada vez que fazemos isso, podemos sentir imediatamente o efeito revigorante em nossos corpos e em nossas mentes. Dessa forma, podemos começar a integrar a qualidade da percepção, que cultivamos durante a meditação, com a percepção que trazemos para nossas atividades no mundo durante o dia.

Alan Wallace, em A Revolução da Atenção. Fonte: Cultivando o Equilibrio.

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Começando

“A única forma de desenvolvimento é um esforço constante através da meditação. É claro que, no início, isso não é fácil. Encontram-se dificuldades inesperadas, às vezes há perda de entusiasmo. Ou talvez o entusiasmo inicial seja excessivo e diminua progressivamente com o passar das semanas ou meses. É preciso elaborar uma abordagem persistente, constante, baseada em um compromisso de longo prazo.”

 

Dalai Lama, em “O Livro de Dias”