Time.com: “Precisamos levar meditação mais a sério como medicamento”

Em artigo no site da Time Magazine, a repórter de saúde e estilo de vida Jacoba Urist defende que meditação seja mais considerada como remédio. Ela comenta a pesquisa publicada na semana passada no Journal of the American Medical Association – JAMA – sugerindo que a meditação ajuda pacientes com depressão, ansiedade e dor, além de outros estudos demonstrando a influência mensurável de meditação sobre o cérebro humano – provando que a prática de atenção plena pode fazer com que as pessoas sintam-se mais felizes, tenham maior resiliência emocional e adoeçam menos.

A pesquisa do Dr. Madhav Goyal, professor de medicina na Universidade Johns Hopkins, concentra-se nos efeitos da meditação em pacientes que sofrem de dor crônica e estresse, bem como meios de baixo custo para melhorar a saúde de moradores da zona rural da Índia. Como o autor principal do estudo recentemente publicado no JAMA, ele revisou 47 estudos clínicos envolvendo mais de 3.500 participantes com ansiedade leve ou depressão, e descobriu que aqueles que praticavam a mediação apresentaram uma melhoria de 5-10% nos sintomas de ansiedade e 10-20% redução dos sintomas depressivos. Essa redução está a par com outros estudos sobre o efeito de  anti-depressivos em populações semelhantes.

Embora os críticos do estudo argumentem que  5-10 % e 10-20% sejam resultados insignificantes, eles admitem que os médicos devem considerar “programas mindfulness por tempo limitado” em vez de “intervenção farmacológica” em alguns casos de ansiedade e depressão. Mas para Jacoba, o mais impressionante na pesquisa é que os pacientes estudados não estavam meditando por muito tempo, ou seja, não eram “meditadores experientes”. Muitos deles meditaram por apenas 2h30 por semana durante dois meses. Considerando que a meditação é uma habilidade que se aprende ao longo do tempo, Dr. Madhav afirma que é improvável que os entrevistados houvessem chegado a um alto nível de especialização, de onde pode se concluir que quanto mais disciplinadamente as pessoas praticarem, maiores serão os benefícios.

O problema, ela continua, é que muitas pessoas confundem meditação com ioga ou outros tipos de medicina complementar, superestimam o tempo necessário para desenvolver uma prática eficaz de meditação, e desconhecem as evidências apontadas pela neurologia de que meditação melhora o funcionamento do cérebro. Da parte da classe médica, alguns profissionais podem duvidar do valor da meditação por estarem inseridos em  uma cultura que toma como base uma medição quantitativa, em dados – sem considerar que algumas coisas são mais fáceis de medir do que outras, e as vantagens da meditação, como uma experiência intrinsecamente subjetiva, se enquadra dentre aquelas mais difícil de se mesurar.  Sem falar na falta de uniformidade do que meditação é e como deve ser praticada, mediante as várias modalidades possíveis.

Essa conclusão é minha, e não da autora do artigo na Time.com: médicos e pacientes devem, portanto, ter a mente um pouco mais aberta e não desqualificar a meditação por causa dessa falta de diretrizes fixas. E aliás, os pacientes nem precisam esperar recomendação médica para começar a adotar uma prática meditativa em suas vidas, em paralelo ao tratamento convencional. Afinal de contas, e literalmente, não custa nada tentar.

Leia o artigo completo em inglês: We Need To Take Meditation More Seriously As Medicine | TIME.com

Post relacionado: Estudo sugere que meditar meia hora por dia alivia ansiedade, depressão e dor

Anúncios

4 comentários sobre “Time.com: “Precisamos levar meditação mais a sério como medicamento”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s